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RECONHECIMENTO

Instituto Histórico homenageia autor do ‘ABC das Alagoas’

Francisco Reynaldo, criador do dicionário biobibliográfico que reúne personalidades e municípios do estado, recebe in memoriam a Comenda Jayme de Altavilla nos 157 anos do IHGAL

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Imagem ilustrativa da imagem Instituto Histórico homenageia autor do ‘ABC das Alagoas’
| Foto: Acervo pessoal

Para caber em palavras, um dicionário de Alagoas nunca terminaria de ser escrito. Por isso, o ABC das Alagoas nasceu como obra em movimento, aberta à ampliação de verbetes, à revisão de trajetórias, ao acréscimo de nomes que ajudam a compor o retrato múltiplo do Estado. Nesta quarta-feira, dia 25, o Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas comemora seus 157 anos e escolheu homenagear o autor desse levantamento com sua condecoração mais insigne, a Comenda Jayme de Altavilla, concedida in memoriam ao professor Francisco Reynaldo.

Paulistano, filho dos alagoanos Josefa Moreno e Joaquim, Reynaldo dedicou décadas à organização de um dicionário biobibliográfico, histórico e geográfico sobre Alagoas e suas personalidades. A primeira edição foi publicada em 2005 pelo Senado Federal e lançada nos salões da Academia Alagoana de Letras, em sessão que reuniu autoridades e pesquisadores.

À época, o então presidente do Conselho Editorial do Senado, José Sarney, apresentou o livro situando-o em perspectiva histórica e dizendo que, a partir dele, podia-se ler o Brasil. “Amanhã será inaugurado o novo Aeroporto de Maceió. Em dez anos estará ultrapassado. Esta obra daqui a 200 anos continuará sendo consultada”, disse.

Imagem ilustrativa da imagem Instituto Histórico homenageia autor do ‘ABC das Alagoas’
| Foto: Acervo pessoal

Então presidente do Senado Federal, o senador Renan Calheiros também apresentou a obra, em um texto que exaltou o espaço para o fato e para as lendas que constituem o imaginário popular e que, de alguma forma, acabam por moldar as sociedades.

“O ABC consegue traduzir este espírito contando da vida e da obra de alagoanos. Se forma como obra de referência, mas no fundo é obra de reverência à memória à cultura que construímos ao longo de cinco séculos. Nada passou aos olhos atentos do autor. E como isso por si só não se fizesse suficiente, o Francisco ainda se investe de requisitos literários e trabalha seu texto com a segurança do acadêmico, mas também com a leveza necessária à boa leitura”, observou Calheiros.

A segunda edição foi lançada em 2015. O escopo da obra permaneceu amplo. O dicionário reúne artistas, escritores, políticos, personalidades da vida pública, alagoanos ou vinculados ao Estado, além de instituições, marcos históricos e informações geográficas. Sobre os autores, foram identificados poetas, prosadores, historiadores, geógrafos, filósofos, ensaístas e cientistas com ao menos uma obra publicada ou participação em antologias.

No campo político, o levantamento lista presidentes da província, interventores, governadores, senadores do Império e senadores federais, deputados gerais, federais, provinciais e estaduais. Inclui ministros de tribunais federais, ministros e conselheiros do Tribunal de Contas do Estado, autoridades que ocuparam cargos relevantes na administração federal ou estadual.

O recorte alcança ainda autoridades religiosas católicas, escultores, fotógrafos, pintores, músicos, artesãos, artistas de rádio, televisão e teatro, além de artistas plásticos com exposições individuais ou coletivas registradas.

Cada município alagoano aparece com informações sobre sua história, geografia e topônimo, compondo um mapa textual que organiza dados dispersos e os torna acessíveis em um único repositório.

A vocação de Francisco Reynaldo para a pesquisa surgiu cedo, quando trabalhou no Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB). Fez pós-graduação na Universidade George Washington, nos Estados Unidos, e, ao retornar ao Brasil, integrou-se como professor da Escola de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e pesquisador do CPDOC, Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Teve como mentor o pesquisador Mário Magalhães, marido da psiquiatra alagoana Nise da Silveira.

Francisco Reynaldo Amorim de Barros morreu em 9 de novembro de 2023. A Comenda Jayme de Altavilla será recebida por sua companheira, a pesquisadora Gisela Pfau de Carvalho, atual coordenadora do ABC das Alagoas, que mantém a atualização do projeto. A obra está disponível gratuitamente na internet, por meio do site ABCdasalagoas.com.br, onde o dicionário segue incorporando novos registros e revisões sob a curadoria da equipe que dá continuidade ao trabalho iniciado por Reynaldo.

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