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PREMIAÇÃO

Bafta coroa ‘Uma Batalha Após a Outra’ e deixa ‘O Agente Secreto’ de fora

Longa brasileiro de Kleber Mendonça Filho disputou nas categorias de melhor filme em língua não inglesa, cujo vencedor foi “Valor Sentimental”, e na de roteiro original, que consagrou “Pecadores”

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Imagem ilustrativa da imagem Bafta coroa ‘Uma Batalha Após a Outra’ e deixa ‘O Agente Secreto’ de fora
| Foto: Divulgação

O Bafta, maior premiação britânica voltada ao cinema, anunciou os vencedores de sua 79ª edição nesse domingo (22), numa cerimônia em Londres. “Uma Batalha Após a Outra”, de Paul Thomas Anderson, foi o grande laureado, com seis estatuetas - melhor filme, melhor diretor, ator coadjuvante, para Sean Penn, montagem, fotografia e roteiro adaptado.

“Vamos continuar a fazer filmes sem medo”, afirmou Thomas Anderson ao receber o prêmio de melhor filme, a principal categoria da noite. Ele já havia subido ao palco anteriormente, quando afirmou que era uma “honra imensa” ser agraciado com o trofeu de roteiro adaptado. Seu longa concorreu ao todo em 14 categorias.

Os outros dois grandes vencedores, com três prêmios cada, foram “Pecadores”, de Ryan Coogler, que levou melhor atriz coadjuvante - para Wunmi Mosaku -, roteiro original e trilha sonora original, e “Frankenstein”, de Guillermo Del Toro, que recebeu os trofeus por direção de arte, cabelo e maquiagem e figurino.

O Bafta de melhor filme britânico ficou com “Hamnet”, de Chloé Zao, filme que também deu a Jessie Buckley o prêmio de melhor atriz. Já Robert Aramayo, por “I Swear”, ganhou como melhor ator —ele também foi consagrado como estrela em ascensão, categoria que tem votação do público.

O brasileiro “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, disputou nas categorias de melhor filme em língua não inglesa, na qual perdeu para o noruguês “Valor Sentimental”, e na de roteiro original, que consagrou “Pecadores”. “Nós em geral somos melhores no ski”, disse em tom de brincadeira o diretor Joachim Trier, de “Valor Sentimental”, ao receber o prêmio.

Os brasileiros Petra Costa e Adolpho Veloso também tentaram troféus. A diretora de “Apocalipse nos Trópicos” concorreu a melhor documentário, mas perdeu para os tchecos Pavel Talankin e David Borenstein, de “Mr. Nobody Against Putin”. Veloso estava no páreo em melhor fotografia, por “Sonhos de Trem”, mas o longa premiado foi “Uma Batalha Após a Outra”.

A cerimônia do Bafta aconteceu no Royal Festivall Hall e foi apresentada pelo ator escocês Alan Cumming.

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| Foto: Divulgação

Quem vota no Bafta?

No principal prêmio britânico, os vencedores são escolhidos por membros da Academia Britânica de Cinema e Televisão, que reúne cerca de 10 mil pessoas da indústria do audiovisual e dos games - a maioria é do Reino Unido, mas também há membros internacionais. Deste total, cerca de 8.300 votam no prêmio de cinema.

Para participar, os membros precisam passar por alguns critérios, como ter pelo menos cinco anos de experiência na área, além de pagar uma taxa anual.

Os votantes são divididos por áreas, como atuação e direção, e cada categoria tem sua lista inicial definida por diferentes votantes. Para eleger os vencedores, todos votam no seu favorito.

A particularidade do Bafta é que ele tem prêmios exclusivos às produções britânicas. Neste ano, são dez indicações ao todo, incluindo filmes que estão mais em evidência na temporada, como “Hamnet”, mas também blockbusters como “Extermínio: A Evolução” e a comédia “Bridget Jones: Louca pelo Garoto”.

Bafta é termômetro do Oscar?

O prêmio já antecipou resultados do Oscar, mas raramente as escolhas coincidem, pois apenas uma parte pequena dos votantes também é membro da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

Nos últimos dez anos, por exemplo, apenas dois filmes levaram tanto os prêmios principais do Oscar e do Bafta —”Oppenheimer”, em 2024, e “Nomadland”, em 2021. No ano passado, “Conclave”, por exemplo, venceu o Bafta, enquanto o Oscar de melhor filme acabou indo para “Anora”.

No caso de filme internacional, “Emilia Pérez” venceu de “Ainda Estou Aqui” no ano passado, no Bafta, em meio às polêmicas envolvendo a atriz espanhola Karla Sofía Gascón, que prejudicaram a campanha da produção francesa e impulsionaram a vitória do primeiro Oscar do Brasil na categoria.

Antes, em 1999, “Central do Brasil” levou o Bafta da categoria, mas não teve o mesmo sucesso no Oscar, perdendo para “A Vida É Bela”. Walter Salles repetiu a vitória na categoria com “Diários de Motocicleta”, em 2004, um ano após “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles, ter levado o Bafta de melhor edição, pelo trabalho de Daniel Rezende.

Outras indicações incluíram os filmes “Abril Despedaçado”, também de Salles, em 2002, e “Trash - A Esperança Vem do Lixo”, em 2015. “Orfeu Negro”, produção francesa de Marcel Camus toda ambientada no Brasil, também disputou a melhor filme, na edição de 1961, mas perdeu para “Se Meu Apartamento Falasse”, de Billy Wilder.

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