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‘Marina’ vence prêmio em Festival de Rotterdam

Longa ambientado em Maceió conquista prêmio de empoderamento no Festival de Rotterdam e avança para a finalização

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'Marina' conquista prêmio em festival
'Marina' conquista prêmio em festival | Foto: Divulgação

“Tentando se sentir amada, Marina, uma garota de quase 15 anos, faz dois mundos opostos colidirem durante seu baile de debutante". A frase é como a alagoana Laís Araújo sintetiza o longa “Marina”, dirigido por ela e pelo pernambucano Pethrus Tibúrcio.

O cinema produzido em Alagoas volta a ganhar projeção internacional. O filme venceu o Prêmio HBF de Empoderamento no International Film Festival Rotterdam – um dos maiores festivais de cinema da Europa – por unanimidade entre nove projetos de diferentes partes do mundo. Concedido a projetos que dialogam com liberdade de expressão e contextos com menor acesso a financiamento, o prêmio reconhece não apenas a força da narrativa, mas a consolidação de um movimento autoral que vem se desenhando no estado.

Segundo Laís, os eixos temáticos do filme são, primeiramente, a adolescência e seus processos de amadurecimento: diversão, tristezas, primeiras vezes e descobertas. “Mas também a desigualdade e violência de Maceió e a forma como essa desigualdade e violência podem entranhar e modificar a vida das pessoas que orbitam essa cidade, mesmo às daqueles que tentam não olhar para isso”, conta.

Para Pethrus, o coração dramático do filme está justamente nesse contraste entre paisagem e experiência. “Marina fala sobre este sentimento de crescer em cidades tropicais e paradisíacas como as nossas, mas que, por outro lado, são marcadas por diversos tipos de violência e desigualdade que contrastam com a visão superficialmente idílica de quem olha desapercebido”, afirma.

No roteiro, ambientado em 2008, a protagonista atravessa o momento em que percebe essa complexidade. Inicialmente isolada, ela vê na festa de debutante a chance de mudar sua posição no mundo — e é ao reencontrar Pedro, neto da costureira que confecciona seu vestido, que passa a descobrir uma Maceió até então desconhecida.

Prêmio é concedido a projetos que dialogam com liberdade de expressão e contextos com menor acesso a financiamento
Prêmio é concedido a projetos que dialogam com liberdade de expressão e contextos com menor acesso a financiamento | Foto: Divulgação

A proposta estética acompanha esse deslocamento. Segundo o diretor, era fundamental construir “uma geografia da cidade que desse conta dessa teia socialmente complexa”, dos prédios caixão próximos ao mar aos condomínios da parte alta, das grotas à periferia.

A ambientação naquele ano também exigiu um olhar de filme de época, recriado nos cenários, figurinos, maquiagem e hábitos, compondo um retrato que revisita práticas e códigos sociais de quase duas décadas atrás. Para Laís, a força do projeto está justamente em ser “muito nosso” e, ao mesmo tempo, dialogar com experiências universais.

“É uma história de amadurecimento, de amor proibido, de descoberta de mundo. O filme acompanha a vida de Marina, mas sem nunca esquecer tudo que orbita ao redor dela”. O prêmio conquistado em Roterdã chega após a primeira exibição pública de um trecho do longa para a indústria internacional. “A pior das hipóteses seria a indiferença”, confessa Laís.

Em vez disso, o que veio foi curiosidade e desejo de ver o filme completo. Para ela, há um peso imensurável em levar um projeto feito em Alagoas para fora. “Espalhamos a cultura e a arte do nosso Estado. E também geramos emprego, fazemos a economia girar. Todo reconhecimento prova a importância do investimento público em cultura e a necessidade de continuidade”.

Para Tibúrcio, o prêmio ter chegado quando o longa está em fase de pós-produção tem impacto direto na reta final. “É mais um passo que permite que a gente siga nas etapas de pós com o aporte financeiro necessário para tudo que esse momento envolve”, explica.

Montagem, desenho e mixagem de som, correção de cor, efeitos visuais, composição musical e legendagem mobilizam uma nova equipe de profissionais. Essa circulação fora do país não é inédita para a dupla. Pethrus integra redes como a Berlinale Talents, e tanto ele quanto Laís vêm construindo trajetória em espaços internacionais.

Araújo, por sua vez, foi premiada no festival de Berlim com seu curta-metragem "Infantaria" e acabou de voltar do Résidence do Festival de Cannes, um dos programas de formação e criação cinematográfica mais reconhecidos do mundo.

Para ela, esses espaços ajudam a abrir caminhos para a distribuição e a ampliar o campo de interesse sobre o filme. “Pessoas de diferentes países vieram conversar, pedir para assistir ao filme na íntegra. Esse é o melhor resultado que poderíamos ter”.

Com finalização prevista para as próximas semanas, o filme inicia em seguida o processo de apresentação em festivais e ao mercado internacional. No Brasil, a distribuição será feita pela Imovision, com estratégia que deve incluir circuito de festivais, salas de cinema e, posteriormente, TV e streaming.

A expectativa de Laís é que o filme alcance o maior número possível de pessoas, especialmente em Alagoas. “É emocionante entrar numa sala e ouvir o mesmo sotaque que o seu, ver seu bairro projetado na tela”, reflete.

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