ARTE NO OLHAR
Retratos de Alagoas aclamados no mundo
Concurso internacional de fotografia reconhece o talento de alagoano em registros que unem o rigor técnico à sensibilidade artística



Nos corredores e salas da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), o dia a dia costuma ser feito de muitas aulas, pesquisas e documentos. Mas, no meio dessa rotina, existe um olhar que consegue enxergar além do óbvio. É o olhar de Renner Boldrino, o fotógrafo oficial da instituição. Recentemente, o trabalho que ele faz para a universidade ganhou o mundo: três de suas fotos foram premiadas no Fine Art Awards, um concurso internacional de fotografia muito respeitado. O prêmio veio na categoria “Retratos”, e as imagens mostram que o trabalho de um fotógrafo de instituição pública pode, sim, ser pura arte.

As fotos premiadas contam histórias de lugares e pessoas diferentes. Uma delas é um retrato do professor Otávio Cabral, feita para a revista Saber Ufal. As outras duas foram tiradas no povoado Chinaré, durante uma expedição científica pelo Rio São Francisco em 2024. Essas imagens fizeram parte de uma exposição chamada “Ufal Além dos Muros”, que mostrou como a universidade chega em lugares distantes e ajuda as comunidades. Para Renner, ganhar esse prêmio internacional é uma forma de mostrar que a comunicação da universidade tem muito valor. Ele conta que sente um orgulho enorme de ser servidor da Ufal e de ajudar a registrar a história do estado de Alagoas através das suas lentes.

A história de Renner com a fotografia não é aquela que a gente costuma ver em filmes, onde a criança já nasce com uma câmera na mão. Ele é muito sincero sobre isso. “Gostaria de dizer que tudo começou quando meu avô me deu uma câmera analógica aos nove anos. Seria uma história mais bonitinha, mas seria mentira”, conta ele rindo. Na verdade, o interesse pela arte sempre existiu — ele lembra de subir nas estantes de casa quando era pequeno para pegar os livros de arte da mãe —, mas a fotografia só virou algo sério quando ele já era adulto.

Antes de virar fotógrafo da Ufal, Renner trilhou outros caminhos. Ele se formou em Letras e trabalhou por um tempo como contratado na área de comunicação. Quando passou no concurso da universidade, ele não foi direto para as fotos. Primeiro, trabalhou como secretário do curso de Design na Faculdade de Arquitetura (FAU) entre 2012 e 2017. Só depois desse tempo é que ele conseguiu ir para a Assessoria de Comunicação para trabalhar com o que realmente amava: a fotografia institucional.
O momento em que a fotografia “bateu forte” no coração de Renner foi em 2011. Aquele foi um ano marcante por dois motivos: o nascimento de seu filho, William, e uma viagem que ele fez para a Tailândia. Foi nessa viagem que ele comprou sua primeira câmera de verdade. No começo, a ideia era só filmar o crescimento do filho, mas o prazer de tirar fotos foi crescendo tanto que ele percebeu que tudo na vida dele parecia ter sido um preparo para aquele momento.
Participar de concursos internacionais de fotografia não é fácil. Exige que o fotógrafo saiba escolher muito bem quais imagens enviar. Renner explica que, para fazer essa escolha, ele precisa se “desligar” um pouco da foto. É como se ele tivesse que deixar de lado o carinho de “pai” pela imagem para conseguir enxergar se ela realmente passa uma mensagem para quem está vendo de fora. Às vezes é uma escolha técnica, mas em outras vezes é puro instinto. Ele diz que, em certos momentos, o fotógrafo simplesmente “sabe” qual é a foto certa.
Muitas pessoas citam aquela frase famosa que diz: “trabalhe com o que você ama e não terá que trabalhar nenhum dia na vida”. Mas Renner tem uma visão mais realista sobre isso. Ele acredita que ninguém ama 100% do tempo o que faz. No trabalho de fotógrafo, existem os momentos cansativos, os eventos longos e as dificuldades técnicas. “Tem muita coisa chata que a gente precisa fazer para chegar na parte que a gente realmente ama”, explica ele. Para Renner, o segredo é aprender a ter alegria em todo o processo, até nas partes mais difíceis.
Além de ser o seu ganha-pão, a fotografia é o refúgio de Renner. Ele conta que a câmera ajuda a acalmá-lo quando ele se sente ansioso ou estressado. Nesses dias, ele gosta de ir para a orla da cidade e simplesmente fotografar. É nesse exercício de observar o mundo pelo visor da câmera que ele encontra o seu equilíbrio novamente.
