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Oscar deixa Brasil sem estatueta e consagra ‘Uma Batalha Após a Outra’

Favorito confirmou expectativas, enquanto “O Agente Secreto” saiu sem prêmios em uma cerimônia marcada por poucas surpresas

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Imagem ilustrativa da imagem Oscar deixa Brasil sem estatueta e consagra ‘Uma Batalha Após a Outra’
| Foto: Reuters

“Uma Batalha Após a Outra” foi o grande vencedor de uma edição do Oscar em que tudo podia acontecer, mas que preferiu não surpreender.

O Brasil tinha chances em três das quatro categorias em que foi indicado — melhor filme internacional, ator e direção de elenco. Ainda assim, e em meio a todos os elogios, “O Agente Secreto” saiu de mãos vazias.

Foi o reflexo de uma cerimônia que poderia ter sido eletrizante, tanto nos prêmios quanto na carga política, mas que optou pela conveniência. O óbvio “Valor Sentimental” venceu em filme internacional, o recordista de indicações, “Pecadores”, recebeu poucos troféus, e “Uma Batalha Após a Outra” confirmou o favoritismo, com seis estatuetas.

Havia ânsia por surpresas, mas ela não foi atendida. Na ala destinada aos estrangeiros, chama atenção que um dramalhão familiar, com várias cenas em inglês e com Elle Fanning como garota-propaganda, tenha vencido e atropelado a mistura de gêneros de “O Agente Secreto” ou a crítica afiada de “Foi Apenas um Acidente”.

Para o Brasil, estar tão próximo de mais um Oscar torna a derrota ainda mais amarga. Se não houvesse chance real, talvez a cinefilia tivesse se preparado para o balde de água fria.

Mesmo na categoria de ator, Wagner Moura poderia ter se beneficiado da disputa mais tête-à-tête entre Michael B. Jordan e Timothée Chalamet. O voto americano, porém, não se dividiu como alguns esperavam, e o astro de “Pecadores” venceu.

Em melhor filme, “Uma Batalha Após a Outra” confirmou o que já se esperava desde o ano passado. “Pecadores” até bateu à porta da premiação e fincou os dentes nas principais listas de apostas, mas a virada que muitos aguardavam não aconteceu.

Sorte de Paul Thomas Anderson, que, como brincou em seu discurso, precisou provar muito para enfim ser laureado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.

O filme mais indicado da história do Oscar, com 16 menções, “Pecadores” teve de se contentar com os prêmios de ator, roteiro original, trilha sonora e fotografia — esta última conquistada por Autumn Durald, a primeira mulher a vencer na categoria.

Anderson esperava por um Oscar havia muito tempo, e a vitória foi das mais celebradas dos últimos anos. Ainda assim, transformar as indicações de “Pecadores” em apenas quatro vitórias — somado à derrota de “O Agente Secreto” — sugere que a Academia talvez ainda não esteja pronta para abraçar filmes de gênero, em especial o terror. Ou mesmo filmes sobre a história preta feitos por pretos.

Isso pode estar mudando, indica a vitória de Amy Madigan como atriz coadjuvante por “A Hora do Mal”, mas a passos lentos.

Completam os vencedores nas categorias de atuação Sean Penn, de “Uma Batalha Após a Outra”, como ator coadjuvante, e Jessie Buckley, de “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”, como atriz. Ambos já apareciam como favoritos havia meses.

Entre as poucas quebras de expectativa da noite esteve um raríssimo empate, o primeiro em 13 anos, na categoria de melhor curta-metragem, para “Duas Pessoas Trocando Saliva” e “Os Cantores”.

Num dos momentos mais interessantes da cerimônia, um representante de cada filme indicado à direção de elenco — Wagner Moura, no caso de “O Agente Secreto” — subiu ao palco para comentar o trabalho da equipe responsável. “Gabriel Domingues teve de povoar este filme com pessoas que têm rostos que poderiam estar naquele período [os anos 1970]. Você conseguiu, você achou esses rostos, e fez isso dando a mesma atenção aos pequenos e aos grandes personagens”, disse Moura.

O prêmio da categoria surpreendeu. Não exatamente pela derrota de Domingues, mas pela de “Pecadores”, que se apresentava como a principal ameaça brasileira nessa disputa — “Uma Batalha Após a Outra” levou a melhor.

Em termos de festa, é difícil superar Nikki Glaser, mestre de cerimônias do Globo de Ouro, que fez trabalho excepcional à frente daquela premiação.

Conan O’Brien até começou com um monólogo decente, com algumas boas alfinetadas. Numa delas, disse que a segurança do Oscar havia sido reforçada — não por causa de ameaças iranianas, mas pela raiva que Timothée Chalamet despertou na comunidade do balé e da ópera.

Em outra, afirmou que a presença de Ted Sarandos, CEO da Netflix, no Dolby Theatre, em Los Angeles, era um acontecimento — afinal, seria a primeira vez do chefão do streaming dentro de um cinema.

Antes de chamar os primeiros apresentadores da noite, O’Brien concluiu o monólogo em tom edificante, lembrando que, em tempos caóticos, o Oscar ganha ainda mais importância.

“São 31 países representados aqui hoje. Todo filme aqui é resultado de milhares de pessoas falando línguas diferentes”, afirmou, antes de desejar que todos, acima de qualquer coisa, se divertissem.

Não foi o que aconteceu.

A partir dali, seu carisma perdeu fôlego rapidamente, mergulhando a cerimônia em certo marasmo. Entre piadas pouco inspiradas e apresentações musicais mornas, a noite avançou sem grandes momentos.

Nem mesmo as performances das canções indicadas empolgaram. Apenas duas delas foram apresentadas, e nem as estrelas do k-pop conseguiram levantar o astral com “Golden”, hit que viralizou e foi indicado ao Grammy de faixa do ano, mas que acabou reduzido a um show-relâmpago.

Os vencedores do Oscar 2026

Melhor filme

‘Uma Batalha Após a Outra’

Melhor ator

Michael B.Jordan, por‘Pecadores’

Melhor atriz

Jessie Buckley, por‘Hamnet’

Melhor direção

Paul Thomas Anderson, por ‘Uma Batalha Após a Outra’

Melhor filme internacional

‘Valor Sentimental’

Melhor ator coadjuvante

Sean Penn, por ‘Uma Batalha Após a Outra’

Melhor atriz coadjuvante

Amy Madigan, por ‘A Hora do Mal’

Melhor roteiro original

‘Pecadores’

Melhor roteiro adaptado

‘Uma Batalha Após a Outra’

Melhor direção de elenco

‘Uma Batalha Após a Outra’

Melhor fotografia

Autumn Durald, por‘Pecadores’

Melhor animação

‘Guerreiras do K-Pop’

Melhor documentário

‘Um Zé Ninguém Contra Putin’

Melhor filme em curta-metragem

‘Os Cantores’ e ‘Duas Pessoas Trocando Saliva’(empate)

Melhor curtametragem animado

‘The Girl Who Cried Pearls’

Melhor documentário em curta-metragem

‘Quartos Vazios’

Melhor direção de arte

‘Frankenstein’

Melhor figurino

‘Frankenstein’

Melhor cabelo e maquiagem

‘Frankenstein’

Melhor som

‘F1-O Filme’

Melhor montagem

‘Uma Batalha Após a Outra’

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