loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 19/03/2026 | Ano | Nº 6183
Maceió, AL
25° Tempo
Home > Caderno B

ARTNOR 2026

Dia do Artesão: Dete faz da tradição do filé uma conexão do Pontal com o mundo

Artesã começou a bordar ainda criança, passou a ensinar a técnica e ampliou o alcance por meio da internet

Ouvir
Compartilhar
Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no Whatsapp
Imagem ilustrativa da imagem Dia do Artesão: Dete faz da tradição do filé uma conexão do Pontal com o mundo
| Foto: Reprodução

A história da artesã Claudete de Lima começa cedo, entre linhas, redes e vizinhança. Conhecida por todos da comunidade como Dete, ela chegou ainda criança ao tradicional bairro do Pontal da Barra, em Maceió, um dos lugares mais conhecidos do país quando se fala em bordado filé. Tinha apenas cinco anos quando a família se mudou para o bairro. Quatro anos depois, aos nove, ela já dava seus primeiros pontos na rede.

O aprendizado veio de forma natural, como acontece há gerações entre as artesãs do lugar. “Eu aprendi o filé aos nove anos. Aprendi com as vizinhas, junto com minha mãe”, lembra.

Na adolescência, o bordado deixou de ser apenas um aprendizado cultural e passou a representar também autonomia. Foi nessa fase que Dete começou a vender suas primeiras peças para conseguir renda. Com o passar dos anos, a vida tomou outros caminhos: ela chegou a trabalhar em outras atividades, mas o artesanato nunca deixou de fazer parte da sua história.

Depois do casamento e já com um filho, o filé voltou a ocupar o centro da sua vida. “Depois que casei, retornei novamente para o artesanato. E de lá para cá não saí mais. Graças a Deus, Ele me deu o dom de fazer roupas, vestidos de noiva, vestidos de festa. Eu amo essa técnica, amo o bordado do filé. Eu me realizo fazendo isso”, conta.

Imagem ilustrativa da imagem Dia do Artesão: Dete faz da tradição do filé uma conexão do Pontal com o mundo
| Foto: Reprodução

Mais do que produzir peças, Dete também descobriu ao longo do tempo um interesse em compartilhar conhecimento. Ensinar outras pessoas a bordar se tornou parte do seu percurso, inclusive como professora orientadora do projeto Rede a Rede, iniciativa da Braskem voltada à valorização e transmissão do saber artesanal, com atuação no desenvolvimento social e cultural local.

Durante a pandemia, sua produção encontrou um novo espaço. Em meio às restrições daquele período, Dete passou a usar a internet e encontrou um canal que ensinava a técnica do filé. Ao assistir aos vídeos, identificou erros na forma como o bordado estava sendo apresentado, o que motivou uma decisão.

“Eu já tinha vontade de fazer isso, mas quando vi aquele canal pensei: ‘eu sei muito mais que isso, tenho prática, tenho vivência’. Então resolvi começar”, conta.

Assim nasceu seu canal no YouTube. Com uma câmera simples e o mesmo cuidado dedicado às redes bordadas, ela passou a gravar aulas com pontos, técnicas e formas de montagem do filé.

Artesã lançou canal no YouTube durante a pandemia de Covid-19
Artesã lançou canal no YouTube durante a pandemia de Covid-19 | Foto: Reprodução

Sem prever o alcance, Dete percebeu que seu trabalho passou a circular para além do bairro. Hoje, o canal reúne mais de cem vídeos e já ajudou centenas de pessoas a aprender a técnica tradicional. Parte desse público ela encontrou pessoalmente pelas ruas do próprio Pontal da Barra.

“Já encontrei meninas aqui em Alagoas que disseram que aprenderam comigo pelo YouTube. Uma vez encontrei umas que vendem rede e elas disseram: ‘Ah, é a Dete? Eu aprendi com você’. Isso é maravilhoso”, conta.

A internet também aproximou sua trajetória de pessoas de outros estados e de fora do país. Um dos encontros ocorreu quando uma turista de Porto Rico reconheceu a artesã no bairro. “Ela me encontrou no Pontal e disse que me acompanhava no YouTube. Foi bem emocionante”, lembra.

A experiência, segundo ela, alterou a forma como percebe o próprio trabalho. “Saber que a sua arte, aquilo que você gosta de fazer, pode alcançar o mundo… é muito bom”.

Apesar do reconhecimento, viver do artesanato ainda apresenta dificuldades. Para Dete, faltam políticas mais estruturadas que fortaleçam o trabalho dos artesãos em um estado marcado pela cultura e pelo turismo. “O grande desafio é viver do artesanato. Existem algumas ações, mas ainda são muito pontuais. A gente vive em um estado rico em turismo, em cultura, em arte, mas quem vive disso sente que ainda falta muito apoio”, afirma.

ARTNOR

Os produtos desenvolvidos pela artesã estarão expostos durante a Artnor 2026, o maior evento de artesanato autoral de Alagoas, que começa hoje vai até o dia 22 de março, no Espaço Armazém, no bairro do Jaraguá. Realizada pelo Sebrae Alagoas, a Artnor vai além de uma simples feira: seu propósito é ser uma vitrine do artesanato autoral alagoano, unindo tradição, inovação e desenvolvimento territorial. A edição deste ano traz o conceito “Tecendo o Futuro”, que remete à ideia de que o futuro pertence ao feito à mão, à ancestralidade e à tradição.

Com entrada totalmente gratuita, a programação acontece das 14h às 21h, contando com a exposição dos produtos dos mais de 80 artesãos e também com oficinas ministradas por artesãos alagoanos. Todos os dias haverá apresentações culturais dentro e fora do Espaço Armazém, ocupando a rua Sá e Albuquerque e movimentando todo o bairro, como o Festival Gastronômico, desfile com marcas do estado e programação exclusiva no Theatro Homerinho.

Relacionadas