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Filarmônica de Alagoas passa a ter o Estado como mantenedor; investimento é de R$ 1 milhão

De acordo com a Secult, cooperativa de músicos irá interiorizar atividades e ampliar alcance social de concertos

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Imagem ilustrativa da imagem Filarmônica de Alagoas passa a ter o Estado como mantenedor; investimento é de R$ 1 milhão
| Foto: Divulgação

Depois de quase uma década sustentada por uma construção coletiva de músicos independentes, a Orquestra Filarmônica de Alagoas entra em 2026 com uma mudança de estrutura. O governo de Alagoas passa a atuar como mantenedor da instituição, por meio de um termo de fomento firmado com a Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), em um investimento de R$ 1 milhão destinado à realização da temporada.

O recurso garante 22 apresentações distribuídas entre quatro séries — Allegro, Mundo, Didática e Estrela Radiosa — e amplia o alcance da programação para além de Maceió. A proposta inclui concertos gratuitos, ingressos a preços mais acessíveis e ações voltadas à formação de público, especialmente com estudantes da rede pública, ao mesmo tempo em que sustenta uma cadeia de trabalho que envolve músicos, técnicos, produtores e equipes de apoio.

Para a secretária de Estado da Cultura e Economia Criativa, Mellina Freitas, a parceria se insere em uma política de ampliação dos investimentos no setor. “O Governo de Alagoas tem ampliado os investimentos na cultura e reconhecido iniciativas que transformam a vida das pessoas. A Filarmônica de Alagoas cumpre um papel importante na formação de público e na circulação da música de concerto, e essa parceria permite que esse trabalho alcance ainda mais alagoanos”, afirma. Em seguida, ela acrescenta: “Esse é um passo muito importante e que merece ser reconhecido. A decisão do governador Paulo Dantas garante as condições para que a Filarmônica continue seu caminho, chegue a novos espaços e mantenha vivo esse trabalho”, continua.

Criada em 2017 a partir da articulação de músicos profissionais independentes, a Filarmônica foi organizada em modelo de cooperativa e, desde os primeiros anos, passou a circular entre teatros, igrejas, praças e cidades do interior. Ao longo desse percurso, construiu temporadas próprias e abriu também uma frente de formação, com apresentações voltadas a estudantes. Agora, o reconhecimento institucional altera a escala de planejamento da orquestra.

Presidente da cooperativa, Rafael Matias afirma que a mudança repercute dentro e fora do palco. “A parceria com o governo representa que a gestão enxerga a cultura como patrimônio inestimável, sendo também um reconhecimento pelo trabalho desenvolvido com todo empenho pelos membros da Filarmônica de Alagoas ao longo de quase 10 anos”. Ele chama atenção para o número de profissionais envolvidos nas apresentações.

“Para além dos 50 músicos vistos no palco em um concerto, há mais de uma centena de stakeholders diretamente beneficiados pelo poder da economia criativa, como técnicos de sonorização, iluminação, plataforma de venda de ingressos, entre outros”, continua o diretor. Segundo ele, o novo cenário também reposiciona o estado no mapa das orquestras sinfônicas do país. “Alagoas deixa de ser um dos poucos estados brasileiros a não ter uma orquestra de porte sinfônico com o Estado como mantenedor, abrindo portas para novos públicos, projetos e difusão da música de concerto”, completa.

Na direção artística, o maestro Luiz Martins aponta que o termo de fomento muda as condições de continuidade do trabalho. “Esse reconhecimento institucionaliza a Filarmônica de Alagoas como equipamento cultural de relevância, garantindo legitimidade e melhores condições de trabalho para se fazer arte de qualidade. Este termo de fomento junto ao governo de Alagoas traz não somente previsibilidade financeira, mas acima de tudo planejamento consistente das atividades artísticas e continuidade das ações para a nossa orquestra”, diz. Para ele, a medida também reforça o alcance social do projeto. “Ao mesmo tempo, amplia o alcance social da orquestra, fortalecendo projetos de formação e inclusão, marca indispensável nas nossas atividades”.

A temporada de 2026 será organizada em quatro eixos. A série Allegro será dedicada à música de concerto, com repertório de compositores clássicos e apresentações gratuitas em igrejas. Luiz destaca que um dos pontos da programação será a homenagem aos 130 anos de nascimento de Hekel Tavares. “Teremos a oportunidade de homenagear também o alagoano Hekel Tavares, um dos grandes nomes da música brasileira”, afirma. Já a série Mundo reunirá concertos voltados a fusões com rock, cinema e outros formatos. “Esta série é fundamental pois é porta de entrada para novos públicos que nunca assistiram a uma orquestra”. A Estrela Radiosa incluirá um tributo a Djavan e outros temas, com participação de artistas alagoanos. A série Didática, também gratuita, será voltada à rede pública de ensino.

Martins afirma que a temporada seguirá a diretriz de valorização da produção local e interiorização das atividades. “Entendemos que a nossa Filarmônica deve sempre priorizar e valorizar os nossos artistas de Alagoas. Teremos 22 concertos e também faremos apresentações no interior do estado, cumprindo uma agenda necessária de interiorização das nossas atividades”.

Tags:

cultura alagoana Formação de Público Música Clássica Orquestra Filarmônica de Alagoas Parceria Governamental Temporada de Concertos

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