COLUNA ILCA MARIA ESTEVÃO
Moda: magreza excessiva preocupa
Estilistas expressam apreensão sobre retorno da estética heroin chic e aumento do uso de remédios para emagrecer
A magreza é um padrão estético que perdura no mundo da moda. Do heroin chic dos anos 1990 ao uso de medicamentos para emagrecer nos dias de hoje, o visual é associado a status, disciplina e desejabilidade. Apesar de não ser um fenômeno recente, estilistas e outros profissionais do segmento têm demonstrado preocupações a respeito da aparência excessivamente magra das celebridades. Vem saber mais!
Durante a temporada de premiações do cinema em 2026, atrizes como Demi Moore, Jenna Ortega e Ariana Grande chamaram a atenção do público com suas silhuetas delgadas. No cenário musical, Kelly Osbourne, Meghan Trainor e Maiara (da dupla com Maraisa) também tiveram suas aparências questionadas.
O que todas as personalidades apresentam em comum são os traços de magreza excessiva, característicos do uso de remédios para emagrecimento e procedimentos cirúrgicos e estéticos. A preocupação surge devido ao padrão de corpos magros que se reinventa ao longo das décadas.
Nos anos 1990, esse ideal se popularizou sob a estética heroin chic. Marcada por corpos extremamente magros, aparência pálida, olheiras profundas e um ar de fragilidade quase doentia, modelos como Kate Moss se tornaram símbolos dessa fase.
Embora tenha sido amplamente criticada por promover padrões nocivos e até incentivar transtornos alimentares, a lógica por trás do heroin chic nunca desapareceu completamente.
Nos últimos anos, esse cenário ganhou um novo capítulo com os medicamentos para emagrecimento (como Ozempic e Mounjaro). Celebridades, influenciadores e até figuras da indústria da moda passaram a exibir transformações corporais rápidas, reacendendo discussões.
Profissionais alertam
Em meio a este cenário, estilistas vêm expressando preocu pações com o baixo peso das celebridades. “Agora existe um estigma em relação a ter qualquer peso”, afirmou um stylist e ex-editor da Vogue ao Page Six.
Ao mesmo veículo, outra fonte declarou que existe pressão e competição entre as artistas para que acompanhem umas às outras: “Uma atriz vê outra emagrecer, então outra emagrece ainda mais”. A dificuldade de vestir as celebridades aumenta a medida que até mesmo o sample size – amostras enviadas pelas grifes para editoriais e tapetes vermelhos – ficam grandes demais. Deve-se levar em consideração que essas peças já são tradicionalmente menores que a média da população.
A atriz, modelo e ativista Jameela Jamil foi às redes registrar sua aflição: “Porque tantas feministas que entendem os danos que essa estética pode causar estão aderindo a esse visual e usando roupas que acentuam o quão esqueléticas elas estão se tornando?”, declarou.
Jameela ainda pontua como o visual ganha força em um cenário de ascensão do conservadorismo, no qual as pessoas têm tido menos acesso a comidas nutritivas e variadas por questões financeiras. “Fico triste que a fragilidade seja um padrão de beleza nos dias de hoje, em plena era do feminismo”.