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CINEMA ALAGOANO

Filme alagoano leva Lygia Fagundes Telles para um edifício em colapso

Inspirado em contos e no universo da autora, primeiro longa de Nilton Resende concluiu filmagens em Maceió; obra acompanha mulheres sob pressão em um prédio em colapso

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Marcélia Cartaxo e Aline Marta são duas das protagonistas de Edifício Lygia
Marcélia Cartaxo e Aline Marta são duas das protagonistas de Edifício Lygia | Foto: RENATA BARACHO

É uma sexta-feira de carnaval. Em um pequeno edifício tomado por infiltrações, luzes piscando e sons obtusos que sobem pelos canos, mulheres atravessam um mesmo dia sob pressão. Adriana volta para casa bêbada na véspera do casamento. Alice inventa um namoro durante uma festa para esconder a própria insegurança. Tatisa se divide entre o baile e o quarto ao lado, onde o pai doente agoniza. Essa é a trama e a atmosfera de Edifício Lygia, longa-metragem alagoano dirigido por Nilton Resende, que acaba de concluir as filmagens em Maceió e entrou em pós-produção.

Inspirado em três contos de Lygia Fagundes Telles — “A Medalha”, “Antes do Baile Verde” e “Emanuel” —, o filme desloca para um mesmo prédio personagens femininas que, em momentos distintos, chegam ao limite. O cenário principal foi montado em Riacho Doce, no litoral norte da capital, onde a produção encerrou as gravações em fevereiro.

Edifício Lygia adapta três contos de Lygia Fagundes Telles
Edifício Lygia adapta três contos de Lygia Fagundes Telles | Foto: RENATA BARACHO

O elenco é um dos pontos fortes do projeto. Marcélia Cartaxo, atriz paraibana eternizada no cinema brasileiro como a Macabéa de A Hora da Estrela (1985), interpreta Dona Lygia, proprietária do edifício familiar onde vivem as personagens centrais. Entre elas está Dona Nívea, vivida por Aline Marta, atriz premiada nos festivais do Rio, em 2022 e 2023, e de Gramado, em 2025. O núcleo principal reúne ainda Ane Oliva (O Agente Secreto), Mariah Medeiros (Marina), Ticiane Simões (Entrecorpos), Wanderlândia Melo (A Barca), Diva Gonçalves (Deyse Ex Machina) e Otávio Cabral. No elenco secundário, aparecem mais nomes ligados ao teatro alagoano, como Ivana Iza (Serial Kelly) e Igor de Araújo (O Agente Secreto).

“O elenco deste filme é majoritariamente composto por mulheres, e suas personagens buscam algum modo de subversão. Convidei para o elenco as ‘minhas mulheres’, como costumo chamar as atrizes que trabalharam nos curtas-metragens de ficção que dirigi (A Barca e A Fresta); convidei também atrizes que eu ainda não havia dirigido, mas cujas carreiras acompanho há tempos e com as quais sempre quis trabalhar. Posso dizer que estou com ‘o elenco dos meus sonhos’”, diz Nilton Resende.

O longa marca a estreia de Nilton na direção de um filme desse porte e prolonga uma relação antiga com a obra de Lygia Fagundes Telles. Além de cineasta, ele também é escritor e professor universitário, e há anos desenvolve pesquisa em torno da autora. Edifício Lygia nasce desse percurso de leitura e estudo, mas também de uma experiência bem-sucedida do diretor com esse universo: A Barca, curta inspirado na escritora, circulou por 110 festivais em 23 países, passou por eventos como a Mostra de Tiradentes e o Festival de Havana, venceu 39 prêmios e foi finalista do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro.

Edifício Lygia é o primeiro longa dirigido por Nilton Resende
Edifício Lygia é o primeiro longa dirigido por Nilton Resende | Foto: RENATA BARACHO

A produção é da La Ursa Cinematográfica, criada em 2015 por Rafhael Barbosa e Felipe Guimarães, em um momento em que o audiovisual alagoano ampliava presença em festivais e começava a consolidar uma produção continuada. A empresa já lançou o documentário Cavalo em circuito comercial e hoje mantém, além de Edifício Lygia, outros longas em diferentes estágios de produção, como Olhe para Mim e a animação Utopia. Em 2025, outro projeto da casa, Filhas do Mangue, de Stella Carneiro, foi selecionado para o programa Factory, do 78º Festival de Cannes.

O novo filme chega em um momento em que o cinema alagoano deixou de aparecer apenas de forma esporádica nos circuitos. O produtor Rafhael Barbosa detalha esse avanço do setor. Segundo ele, Alagoas conta, atualmente, com 19 longas-metragens, três séries, nove telefilmes e mais de 100 curtas-metragens em produção. “Apenas no último ano tivemos projetos alagoanos no Festival de Cannes, no Festival de Tiradentes, no Festival de Gramado, no Olhar de Cinema, no Prêmio Grande Otelo do Cinema Brasileiro, no Cine PE, no Cine Ceará, no Curta Cinema, no Kinoforum, no Brasil CineMundi, entre muitos outros. Nossa produção tem marcado presença e garantido prêmios nas principais janelas do mercado nacional e internacional. Isso é reflexo dos editais e políticas de fomento que mudaram a realidade do nosso setor nos últimos anos”, afirma.

Com filmagens encerradas em fevereiro, Edifício Lygia entra em etapa de pós-produção
Com filmagens encerradas em fevereiro, Edifício Lygia entra em etapa de pós-produção | Foto: RENATA BARACHO

Na equipe, Nilton também assina o roteiro. A direção de fotografia é de Julia Zakia; a direção de arte, de Nina Magalhães; o som direto, de Leo Bulhões; a preparação de elenco, de Flávio Rabelo; e a assistência de direção, de Gabriela Borborema de Filippo. A produção é de Rafhael Barbosa, Vanessa Barbosa e Ale Moretti. Edifício Lygia ainda não tem data para chegar às telonas.

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cinema alagoano Elenco Feminino Festival de Cinema Lygia Fagundes Telles Nilton Resende Produção Audiovisual

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