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Obra infantojuvenil revisita legado de Nise da Silveira com narrativa lúdica

“Os balões de Nise”, de Natália Agra, transforma trajetória da psiquiatra em história sobre empatia e liberdade

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Obra se ancora em elementos recorrentes na trajetória de Nise, como a recusa a práticas violentas
Obra se ancora em elementos recorrentes na trajetória de Nise, como a recusa a práticas violentas | Foto: REPRODUÇÃO

A Imprensa Oficial Graciliano Ramos incluiu no catálogo infantil uma obra que retoma, por outra via, a trajetória de uma das figuras mais conhecidas da história alagoana. Lançado dentro da Coleção Coco de Roda, o livro Os balões de Nise, de Natália Agra, apresenta ao público infantojuvenil uma narrativa inspirada na psiquiatra Nise da Silveira, com foco em temas como empatia, liberdade e respeito às diferenças.

A publicação surge no contexto das ações ligadas ao Dia Nacional do Livro Infantil, celebrado em 18 de abril, e integra um conjunto de títulos voltados à formação de leitores. No caso específico da obra, a proposta é aproximar crianças de uma personagem real por meio de uma construção ficcional, sem perder de vista a dimensão histórica de sua atuação.

Nascida em Maceió, em 1905, Nise da Silveira teve papel decisivo na transformação das práticas psiquiátricas no Brasil ao longo do século 20. Formada pela Faculdade de Medicina da Bahia em 1926, recusou métodos agressivos então comuns, como eletrochoques e lobotomia, e passou a defender abordagens baseadas na escuta, na expressão e no cuidado individual. Ao longo da carreira, criou espaços como o Museu de Imagens do Inconsciente e a Casa das Palmeiras, onde a arte assumia função central no tratamento.

É a partir desse percurso que o livro constrói sua narrativa. Na história, a personagem de Nise é conduzida por uma metáfora central — o balão — e percorre a cidade fictícia de Tatipirun, universo criado por Graciliano Ramos em A Terra dos Meninos Pelados. Acompanhada dos gatos Tigre-Rei e Mafalda, ela atravessa situações que dialogam com o imaginário infantil ao mesmo tempo em que recuperam aspectos de sua visão de mundo.

A autora Natália Agra afirma que a escolha pela literatura infantil foi uma forma de apresentar a trajetória da psiquiatra a novos leitores sem recorrer a uma abordagem exclusivamente biográfica. “O balão surgiu como metáfora porque ele carrega sonhos, como os pensamentos que não podem ser aprisionados”, explica. “Para Nise da Silveira, cada pessoa tinha um mundo interno cheio de cores e anseios pronto para seguir viagem, e o balão representa exatamente isso: a liberdade de sonhar, de se expressar e de existir sem amarras e opressões”, acrescenta.

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