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JAZZ EM ALAGOAS

Alagoas celebra o Dia Internacional do Jazz com shows em Maceió e Arapiraca

Programação marca data criada pela Unesco e reúne músicos locais com homenagem a Nara Leão

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Foto:@Ailton Cruz
Foto:@Ailton Cruz | Foto: @Ailton Cruz

Primeiro, o silêncio. Depois, um sopro. Luzes acendem e, como em uma explosão sonora, as primeiras notas do jazz invadem os ouvidos, fazendo as mãos se mexerem. O piano entra tímido, a bateria responde e, quando se percebe, a música já não pertence mais a um só instrumento. Essa paisagem se intensifica no dia 30 de abril, Dia Internacional do Jazz, instituído há 15 anos pela Unesco em parceria com o Herbie Hancock Institute of Jazz.

A data é reconhecida pela Assembleia Geral das Nações Unidas e reúne diversos países para destacar o poder do gênero musical e seu papel na promoção da paz, do diálogo intercultural, da diversidade e do respeito. Desses 15 anos, Alagoas participa pelo nono ano consecutivo nesta quarta (29) e quinta-feira (30), com comemorações em Arapiraca, no Pub Treze, e em Maceió, no Centro Cultural Arte Pajuçara, respectivamente.

A pluralidade das sonoridades alagoanas não é novidade: há MPB, reggae e até celebrações do jazz com direito a casa cheia. Na capital alagoana, a data será celebrada pelo maestro Almir Medeiros e pelo Clube do Jazz Maceió, formado por Felix Baigon, Robson Cavalcante, Augusto Moralez e Maglione Santos — eles sobem ao palco para homenagear Nara Leão, na voz da alagoana LoreB.

Segundo Baigon, que já atuou em diferentes orquestras e espetáculos voltados ao jazz no Brasil, a permanência do evento no calendário cultural do estado está diretamente ligada à qualidade das apresentações. “Acredito que isso se deve à qualidade musical do projeto e às atrações de altíssimo nível”, afirma.

O interesse do público, no entanto, não surgiu agora. Ele aponta que existe uma relação construída ao longo do tempo, com raízes em iniciativas anteriores. “O jazz em Alagoas tem um público cativo desde as edições do Maceió Jazz Festival”, explica. O projeto, que começou de forma tímida na Praia de Garça Torta e depois ganhou maior estrutura na Praia de Pajuçara, ajudou a consolidar esse público — cenário que, segundo ele, se desenvolveu graças ao investimento público.

Em um contexto musical dominado pelas plataformas digitais, Felix enxerga o jazz ocupando um espaço de resistência e contraponto. “O jazz faz um contraponto com a música que se ouve nas plataformas hoje em dia. A música ao vivo não morrerá. E esse é o melhor momento para se trabalhar esse gênero”, defende.

Com uma trajetória que passa por orquestras como a Tabajara e a Rio Jazz Orquestra, o músico conta que a relação com o jazz começou cedo, ainda nas escutas curiosas de infância e adolescência. “Desde pequeno fui muito interessado pelas músicas que tocavam no rádio. Ouvia de tudo”, lembra. Mais tarde, já no Rio de Janeiro, o gênero deixou de ser apenas influência e se tornou central em sua vida. “Ali tive contato com grandes arranjos de jazz que eram importados dos Estados Unidos”, diz.

Essa vivência também se reflete na construção do Jazz Panorama, que saiu do rádio para o palco, mantendo sua proposta formativa. Segundo Baigon, a presença de Juan Maurer nos espetáculos cria uma experiência única para o público. “Primeiro você tem o espanto de ver e ouvir ali, de pertinho, a voz de alguém que era quase um mito. O Juan tem um vasto conhecimento sobre os grandes nomes e clássicos do jazz”, afirma. Para ele, esse formato também tem impacto direto na renovação da plateia. “Tenho certeza absoluta, basta ver a renovação que é sentida a cada edição”.

Na programação deste ano, a homenagem a Nara Leão evidencia o diálogo histórico entre a bossa nova e o jazz. “Os músicos da bossa nova beberam demais na fonte do jazz. A construção harmônica dos clássicos, em sua maioria, repete encadeamentos dos standards”, explica.

Os standards citados por Baigon são canções que atravessaram décadas e continuam sendo revisitadas, reinterpretadas e, principalmente, improvisadas. É como se fossem um “idioma base” do jazz: todo músico aprende esses temas para conseguir dialogar com outros no palco.

Mesmo quando interpreta clássicos internacionais, o grupo mantém uma identidade própria. “Nós, músicos brasileiros, levamos o nosso sotaque, o nosso acento. O equilíbrio entre o jazz e as referências brasileiras acontece de forma natural”, pontua.

Entre as novidades desta edição, Baigon destaca a participação de LoreB, interpretando clássicos do samba e da bossa nova, além de formações instrumentais que prometem surpreender o público.

Depois de tantos anos dedicados ao gênero, é justamente a imprevisibilidade que continua movendo o músico. “Cada concerto é um novo concerto, um novo desafio. O improviso e a interação com os músicos é algo divino”, diz.

Para o futuro, ele aponta caminhos claros: formação e continuidade. “Que as novas gerações se interessem em estudar a música instrumental, construam repertório e dominem estilos. E que surjam novos palcos, novos espaços e projetos duradouros”, projeta.

Serviço:

  • Arapiraca – 29/04, Pub Treze, a partir das 20h
  • Maceió – 30/04, Centro Cultural Arte Pajuçara, a partir das 20h
  • Ingressos disponíveis na plataforma Sympla

*Sob supervisão da editoria de Cultura

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