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DANÇA

Joelma Ferreira leva dança alagoana à mostra inspirada em Ana Botafogo

Espetáculo “Cheia” integra programação nacional que reúne artistas de cinco estados brasileiros em São Paulo

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Imagem ilustrativa da imagem Joelma Ferreira leva dança alagoana à mostra inspirada em Ana Botafogo
| Foto: Divulgação

Joelma Ferreira apresenta “Cheia” nesta quarta-feira (13), às 20h, no Teatro do Itaú Cultural, em São Paulo. No palco, dança e audiovisual se cruzam em uma obra que investiga relações entre corpo, território e ancestralidade a partir da experiência de mulheres negras filhas de Oxum.

A bailarina é a representante de Alagoas na mostra criada pelo Itaú Cultural em diálogo com a Ocupação Ana Botafogo, exposição dedicada a uma das principais referências do balé clássico brasileiro. A programação reúne artistas de cinco estados — Alagoas, Pernambuco, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo — em espetáculos que partem da trajetória de Ana Botafogo para pensar outros caminhos possíveis para a dança brasileira, aproximando linguagens clássicas, contemporâneas e populares.

Joelma sobe ao palco com um trabalho dirigido por Gessyca Geyza e estruturado em torno de três eixos: poder, prazer e política. A obra acompanha mulheres negras ligadas a Oxum e a relação delas com os espaços que ocupam. Ao longo da apresentação, esses territórios também se transformam, atravessados pela água e pela ideia de corpo-território.

Imagem ilustrativa da imagem Joelma Ferreira leva dança alagoana à mostra inspirada em Ana Botafogo
| Foto: BENITA

A encenação se apoia fortemente na construção visual. A projeção mapeada criada pelo Núcleo Zero acompanha a bailarina em cena, enquanto a trilha sonora original de Bruno Brandão, o Vulgo BR, acrescenta tensão e continuidade ao espetáculo. Em alguns momentos, o corpo parece emergir da lama; em outros, ganha fluidez, como se acompanhasse o movimento das águas.

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“É um trabalho que aborda o poder da mulher de Oxum, a sensualidade, a malemolência dessas mulheres e também mostra muito do nosso território alagoano, o poder dessas mulheres alagoanas. Acho que a plateia vai se deparar com imagens lindíssimas desse nosso território”, afirmou Joelma.

A apresentação em São Paulo marca mais uma etapa da circulação nacional de “Cheia”, que já havia sido apresentado em Pernambuco durante o Festival Cena Nordeste de 2024.

Imagem ilustrativa da imagem Joelma Ferreira leva dança alagoana à mostra inspirada em Ana Botafogo
| Foto: Divulgação

“Estou profundamente tocado, atravessado por esse espetáculo tão potente, que fala da mulher brasileira com o recorte da mulher alagoana, acompanhada por diversas águas”, comentou o produtor cultural pernambucano William Santana, à época, após assistir à obra em Olinda.

A mostra do Itaú Cultural foi construída a partir dos 50 anos de trajetória de Ana Botafogo e reúne trabalhos que dialogam com diferentes tradições da dança brasileira. A programação inclui “Transversa”, da paulista Ana Catarina Vieira; “Ecos da Separação”, da carioca Inaê Moreira; “Locomotivas”, criado por artistas pernambucanas a partir do frevo; e “Q Brô”, das mineiras Dudude e Lina Lapertosa. Todas as sessões são gratuitas, com ingressos reservados pelo site do Itaú Cultural.

No caso de Joelma Ferreira, o diálogo com o legado do balé clássico não vem exatamente da reprodução formal da técnica, mas da construção de uma linguagem própria. O espetáculo parte de referências ligadas às águas, aos corpos femininos e às matrizes afro-brasileiras sem se afastar do território alagoano que atravessa toda a obra. “Estou bem ansiosa para entender como será essa interação com o público”, disse a bailarina.

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