THEATRO HOMERINHO
‘Deriva’ transforma paisagem urbana em espetáculo sensorial no Homerinho
Montagem da artista Yvana mistura música, vídeo, performance e poesia a partir de experiências
Entre a Praia da Avenida e Ipioca, um tecido púrpura o vento, o concreto, o mar e os ruídos da cidade. A imagem faz parte de uma videoperformance registrada por Yvana ao longo do litoral de Maceió e integra Deriva, espetáculo que chega ao Theatro Homerinho neste sábado (23), às 19h.
A apresentação mistura música, projeção, performance e poesia em uma construção atravessada por cidades do Norte e Nordeste brasileiros. Em cena, Yvana utiliza sons, imagens e deslocamentos urbanos para investigar relações entre água, memória, identidade e território.
Parte do espetáculo nasce justamente da experiência de caminhar pela capital alagoana. A artista percorreu trechos da orla registrando imagens que depois foram incorporadas à obra como projeções.
A deriva — conceito ligado às experiências situacionistas e às caminhadas sem rota fixa pela cidade — aparece tanto como método de pesquisa quanto como estrutura sensível do espetáculo.
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“As águas, em suas dinâmicas, são fluxos que me permitem voar nessa experiência”, afirma a artista.
O repertório reúne referências da Amazônia e do litoral nordestino em composições que transitam entre canto popular, experimentação sonora e elementos da música lírica.
No palco, Yvana constrói essa travessia acompanhada pelos músicos Renault Guimarães, na percussão, e Marvin Silva, no violão, pífano e percussão. A direção musical e a iluminação são assinadas por Lucas Bezerra.
A montagem também recruta artistas ligados à cena cultural alagoana. Participam do espetáculo Telma César, Ana Gal, Synara Holanda, Virgínia Tavares, Nique e Gustavo Gomes.
As imagens exibidas durante o espetáculo foram produzidas por Matheus Monstro e Maria, enquanto a fotografia é assinada por Benita Rodrigues. A direção de cena e o figurino levam a assinatura de Synara Holanda.
Natural de Macapá, Yvana iniciou pesquisas ligadas ao canto e à fotografia em Belém. Nos últimos anos, vem desenvolvendo trabalhos que articulam paisagem, voz e deslocamento urbano, como os projetos Cidade em Frestas, Nuvem e Efêmero.
Em Maceió, a investigação ganhou nova dimensão após o espetáculo Travessia, apresentado em 2024.
Além da atuação artística, Yvana desenvolve pesquisa acadêmica em Design de Narrativas, aprofundando estudos sobre cidade, memória e experimentação visual até 2027.