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Documentário produzido na Ufal é destaque em Milão

Filme “Amyá ay Barae” aborda mudanças climáticas, alimentação e sustentabilidade a partir de uma linguagem acessível e científica

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Documentário produzido na Ufal é destaque em festival na Itália
Documentário produzido na Ufal é destaque em festival na Itália | Foto: Divulgação

Um documentário produzido a partir de um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Campus Arapiraca, foi selecionado para o Duemila30, festival internacional de cinema realizado em Milão, na Itália. A obra, que aborda os impactos das mudanças climáticas na alimentação e propõe soluções sustentáveis ligadas ao Nordeste brasileiro, concorre ao prêmio de Melhor Curta e reforça a presença da produção acadêmica alagoana em eventos de alcance mundial.

Intitulado “Amyá ay Barae”, expressão indígena que significa “Alimentando o Futuro”, o filme nasceu da proposta de transformar temas científicos em uma linguagem mais acessível ao público.

O trabalho foi produzido pela egressa do curso de Ciências Biológicas da Ufal em Arapiraca, Maria Júlia Batalha, e contou com a orientação da professora Larissa Sátiro, docente do curso.

Segundo Maria Júlia, a ideia surgiu da necessidade de ampliar a divulgação científica para diferentes públicos, utilizando o audiovisual como ferramenta de aproximação entre ciência, arte e sociedade. Além disso, o projeto também carrega um significado afetivo, funcionando como uma homenagem à avó da pesquisadora.

Filme “Amyá ay Barae” nasceu da proposta de transformar temas científicos em uma linguagem mais acessível ao público
Filme “Amyá ay Barae” nasceu da proposta de transformar temas científicos em uma linguagem mais acessível ao público | Foto: Divulgação

“O filme fala sobre as possibilidades que já existem atreladas ao Nordeste, mais especificamente em Alagoas, relacionadas a soluções possíveis para que a gente consiga manter níveis razoáveis de nutrição”, explica a professora e orientadora do projeto Larissa Sátiro.

O documentário aborda os impactos das mudanças climáticas na alimentação, relacionando o tema às hortas urbanas e às Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs). A proposta busca mostrar que as mudanças climáticas não estão distantes da realidade cotidiana, mas afetam diretamente questões essenciais para a sobrevivência humana: “Nosso trabalho revela que esse problema está diretamente ligado ao nosso bem mais precioso para a sobrevivência: a alimentação”, destaca a pesquisadora.

A produção do filme trouxe desafios técnicos e acadêmicos, especialmente pela necessidade de conciliar as demandas da graduação com as etapas de gravação, edição e organização da defesa do TCC. A pesquisadora também organizou uma exposição artística durante a apresentação do trabalho, reunindo obras relacionadas ao tema em parceria com artistas locais.

Festival em Milão

A seleção para o festival em Milão foi recebida com surpresa pela autora e sua orientadora. O filme havia sido enviado anteriormente em uma plataforma de submissão de filmes, e, meses depois, recebeu não apenas a confirmação de participação, mas também um convite oficial para integrar o evento. Atualmente, a obra concorre ao prêmio de Melhor Curta.

Antes da seleção para o Duemila30, o documentário já havia sido exibido em festivais nacionais e internacionais. A estreia internacional aconteceu no Festival de Jovens Cineastas do Kosovo (Kyff). Posteriormente, o filme participou de mostras e festivais em Portugal, Inglaterra, Estados Unidos e diferentes regiões do Brasil, consolidando o reconhecimento da produção no circuito cinematográfico.

Além do reconhecimento artístico, o projeto também influencia os próximos passos acadêmicos da pesquisadora, Maria Júlia, que pretende aprofundar os estudos sobre os impactos do aquecimento global nas populações de Pancs durante o mestrado.

“Essa conquista demonstra que valeram a pena todas as noites mal dormidas, os inúmeros artigos lidos sobre o tema e os dois anos dedicados à criação de algo que fosse científico, mas que também apresentasse uma linguagem mais acessível”, afirma.

A conquista também evidencia o papel da Universidade Federal de Alagoas no incentivo à pesquisa, à produção científica e às iniciativas interdisciplinares que aproximam conhecimento acadêmico e sociedade. Ao alcançar festivais internacionais, o documentário leva o nome da Ufal para diferentes espaços culturais e científicos, reafirmando a relevância da universidade pública na formação de pesquisadores e na produção de conteúdos comprometidos com questões sociais, ambientais e culturais.

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