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CINEMA

‘Toy Story 5' coloca brinquedos diante da maior ameaça atual: as telas

Produtora do longa que estreia nos cinemas conta como a Pixar levou Woody, Buzz e Jessie para uma infância dominada por dispositivos digitais

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Toy Story está de volta, dessa vez trazendo o mundo das telas para o universo das crianças
Toy Story está de volta, dessa vez trazendo o mundo das telas para o universo das crianças | Foto: Divulgação

Havia um tablet no quarto de Bonnie. E foi a partir dessa imagem - simples, corriqueira, quase inevitável - que Toy Story 5 começou a tomar forma dentro da Pixar. “Quando pensamos no que é novo no mundo para os brinquedos, o que eles estão enfrentando, a resposta óbvia era a tecnologia”, diz Lindsey Collins, produtora do longa que estreia nos cinemas de todo o país. “Isso nos deu um ponto de entrada imediato para a história”.

Imediato, porém, não quer dizer fácil. Toy Story 5 é o quinto capítulo de uma franquia que nasceu há 30 anos como a mais importante aposta da Pixar e que carrega esse peso até hoje. Collins reconhece a responsabilidade. “Toy Story é o DNA do estúdio”, resume. “Somos os maiores protetores dessas histórias, os que sentimos mais amor por elas. Há pessoas trabalhando neste filme que trabalharam nos outros quatro”.

O enredo parte de Bonnie como uma das últimas crianças da vizinhança que ainda brinca com brinquedos. O mundo ao redor dela já está mergulhado em telas. O presente que ela ganha - Lilypad, um tablet interativo desenhado para crianças - passa a ocupar o espaço que antes era de Jessie, Buzz, Woody e companhia. Os brinquedos veem, com crescente apreensão, o que pode ser o fim de uma era.

A grande aposta narrativa do filme é o deslocamento do foco para Jessie, pela primeira vez protagonista da franquia. Para Collins, isso era uma dívida antiga. “Jessie merecia essa história. Este filme é, de certa forma, uma peça complementar de Toy Story 2 para ela - e eu acho que damos a ela a resolução que faltava", afirma. A produtora atribui parte desse olhar à nova geração de realizadoras à frente do projeto. A codiretora McKenna Harris, que comanda o filme ao lado de Andrew Stanton, cresceu assistindo a Toy Story 2. Ela chegou à Pixar por causa de Jessie. “Isso traz uma perspectiva completamente diferente. Quase como uma ‘ficção de fã’ bem fundamentada”, diz.

Pela primeira vez, Jessie será a protagonista da trama de animação
Pela primeira vez, Jessie será a protagonista da trama de animação | Foto: Divulgação

Woody retorna, e Buzz também está lá. Uma decisão que pode ser lida como recuo diante do risco - afinal, Toy Story 4 havia encerrado o arco de Woody de forma deliberada. Mas Collins prefere enquadrar a presença deles como parte de uma conversa maior sobre legado e continuidade. “Os personagens envelhecem junto com cada geração de público. Cada criança tem sua versão diferente deles”, diz.

No final, talvez o dado mais revelador sobre o estado atual da Pixar seja este: há animadores trabalhando em Toy Story 5 que viram Toy Story 2 no cinema quando eram crianças. “Agora temos gerações dentro do estúdio que chegam aqui como fãs da franquia”, diz Collins. “Isso traz uma energia que nós, que estamos há 30 anos aqui, não temos mais da mesma forma. A piada do Woody ficando careca? Veio de um artista de 25 anos”.

Tecnologia sem vilania

O ponto mais delicado do roteiro é justamente o que poderia tê-lo afundado: a tentação de transformar Lilypad numa antagonista simplista. Collins conta que a equipe trabalhou para resistir a isso. “Não estamos dizendo que a tecnologia deveria desaparecer. Tratamos Lilypad como um personagem. Ela tem falhas, tem um arco. Temos que nos importar com ela ao final. Esse sempre foi o objetivo: não pregar, mas contar uma história”, contextualiza.

Tecnicamente, a personagem, dublada no Brasil por Maísa Silva, representou um desafio à parte: cada cena com Lilypad exigiu dupla animação, com o corpo do tablet e tudo que aparece em sua tela animados separadamente. “Foi muito trabalho. E depois ainda tivemos que pensar no que é divertido narrativamente quando você tem um dispositivo que conecta lugares. Os brinquedos odeiam a tecnologia, mas e se ela puder ser útil para alguém tentar voltar para Bonnie?”.

A produtora também diz que a imaginação de Bonnie, representada em sequências visuais elaboradas com toques de Homem-Aranha no Aranhaverso, foi concebida como o contraponto direto à presença da tecnologia. “A imaginação e o tempo de brincar são a resposta”, afirma. “Tentamos criar uma representação realmente bonita disso no filme, porque acreditamos que é o que a tecnologia está sufocando”.

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