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PALCO DE HISTÓRIAS

De Graciliano a agricultores do Sertão, quadrilhas transformam Forró & Folia em vitrine da cultura nordestina

Na segunda noite de quadrilhas juninas no Parque da Pecuária, Rosa dos Ventos, Dona Dadá, Santa Fé e Dona Zabumba apresentaram seus espetáculos e enredos que vão da literatura ao baião

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Imagem ilustrativa da imagem De Graciliano a agricultores do Sertão, quadrilhas transformam Forró & Folia em vitrine da cultura nordestina
| Foto: Ailton Cruz

No rodado dos vestidos, nos passos bem marcados das quadrilhas, no grito do chamador e na emoção da grande roda que se arma no salão. Em todos os aspectos dos tradicionais grupos juninos há histórias que vão além do que se vê. O público que acompanha o Forró & Folia 2026, no Parque da Pecuária, se depara com enredos sobre a obra de Graciliano Ramos, a música de Luiz Gonzaga, homenagens a manifestações folclóricas como o bumba meu boi, além de narrativas sociais e comportamentais, que vão da vida dos agricultores e andarilhos até os anseios do povo por festa e alegria.

Maior palco verdadeiramente junino de Alagoas, o Forró & Folia teve sua segunda noite de apresentações de quadrilhas nessa terça-feira (23), quando um grande público compareceu à arena para torcer e comemorar a véspera de São João.

As temáticas que as quadrilhas defendem neste ano são muito diversificadas e trazem, inclusive, apelos sociais. Nenhuma, no entanto, deixou que se perdessem as características únicas que unem todas as quadrilhas juninas: o casamento, a noiva, o noivo, os seus antagonistas, o cangaceiro, as rainhas do milho e, claro, o forró.

Até agora, nove quadrilhas juninas da capital alagoana levaram história, cultura, música e muita diversão ao Forró & Folia. O evento é uma iniciativa da Organização Arnon de Mello (OAM), em parceria com a Liga das Quadrilhas Juninas de Alagoas (Liqal).

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| Foto: Ailton Cruz

Já são 26 anos de história. O festival promove a cultura do Nordeste, levando valorização às quadrilhas que nasceram nas comunidades e bairros de Maceió. A novidade neste ano é que a festa se estende também para o interior, com edição em Girau do Ponciano, onde se apresentam equipes que representam todas as regiões de Alagoas. As apresentações na capital alagoana vão até sexta-feira (26), quando acontece a grande final. A final do interior será realizada na quinta-feira (25), na cidade do Agreste.

Nessa terça-feira (23) se apresentaram as quadrilhas Rosa dos Ventos, Dona Dadá, Santa Fé e Dona Zabumba. O presidente da Santa Fé, Thiago Serpa, aponta que o enredo permite viajar por vários universos. “O espetáculo conversa com a proposta do casamento, do arrasta-pé, do xaxado, do baião. São propostas que, embora recorramos a temáticas históricas, sociais e licenças poéticas, não perdemos a essência do forrozinho”, explicou.

Neste ano, a Santa Fé trouxe o tema “A gente pede festa”, para celebrar também uma década de história da quadrilha. A obra transforma o arraial em palco para o que a equipe chama de uma das maiores verdades do movimento junino brasileiro: a festa, que acontece porque o povo persiste em fazê-la acontecer.

“É um manifesto, um grito de socorro para o povo, para as quadrilhas, para a cultura de uma forma geral, que nos tragam esses espaços. A exemplo deste que o Forró & Folia mais uma vez está trazendo”, afirmou.

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| Foto: Ailton Cruz

Outra quadrilha que se apresentou nessa terça-feira, a Dona Dadá, contou ao público, por meio da dança, da música, das cores e da alegria, a história de Aurora, que aborda a vida de andarilhos — aqueles que saem de sua casa em busca de viver outros mundos e experiências ou mesmo à procura de melhorar as próprias condições de sobrevivência.

No enredo, Aurora viu seu mundo perder o rumo após a morte de sua mãe. Querendo se reencontrar, ela deixa para trás a moradia e parte pelos caminhos do Sertão, levando consigo seu pequeno irmão. Manoel, seu marido, não suporta vê-la sair sozinha e decide também abandonar a vida antiga para partir junto com a amada.

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“Andejos é uma celebração da alma nordestina – forte, sonhadora, resiliente, apaixonada pela vida. Um espetáculo que nos lembra que ninguém floresce sozinho e que o verdadeiro caminho se faz quando seguimos juntos”, pontuou a quadrilha Dona Dadá.

Já a Rosa dos Ventos, com 22 anos de tradição, abordou neste ano a agricultura familiar com o tema “Grão, a Semente da Vida”, tendo como protagonistas homens e mulheres do campo. A disputa e o direito da população à terra embarcam na narrativa, sem deixar escapar da história a tradição das feiras livres. Lampião e Maria Bonita aparecem no enredo como grandes defensores da natureza.

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| Foto: AILTON CRUZ

“Queremos homenagear o agricultor. A gente sempre quer tocar em um assunto onde eles se sintam representados. A Junina Rosa dos Ventos procura representar homens e mulheres do campo, não de uma forma sofrida, mas com abundância e prosperidade, porque quando eles plantam, colhem, vendem, eles se alimentam e alimentam gerações”, explica o marcador da Rosa dos Ventos, Júlio Feijó.

A quadrilha Dona Zabumba, por sua vez, com apenas três anos de criação, ganhou espaço no grupo especial e levou para o Parque da Pecuária o Nordeste como destino daqueles que chegam para ficar. O tema “Nordeste destino: onde o vento sopra histórias” é considerado pela quadrilha um espetáculo que convida o público a revisitar a região pela ótica daqueles que a consideram como um destino de férias, pelas suas paisagens encantadoras, e daqueles que veem o Nordeste como um lugar de vida, de quem nasce, cresce, trabalha e permanece.

EXPERIÊNCIA FORRÓ & FOLIA

Nos próximos dias, mais quadrilhas vão fazer o salão vibrar de emoção e pertencimento. Para João Caetano dos Santos, que estava na plateia, encontrar a diversidade dos enredos é, também, se ver no palco do Forró & Folia. “Eu adorei, foi a primeira vez que eu vim no evento, mas meus pais, meus amigos sempre falavam que era lindo. É muito bom ver tantas histórias, né? Ver como eles construíram esses temas e fizeram tudo ficar tão lindo. É a nossa história”, afirmou o jovem.

Alberto França, gerente da MRV, empresa parceira do Forró & Folia, diz que presenciar o desempenho dos grupos foi motivo de orgulho. “A MRV patrocina e apoia a cultura de Alagoas porque é uma empresa que acredita nesta terra. São mais de 15 anos no mercado de Maceió e mais de 45 anos no Brasil, sempre acreditando que investir em cultura é apoiar o crescimento do estado, do município, do país inteiro. Não seria diferente agora, ainda mais em um evento como o Forró & Folia, que é tradição e tem essa marca de qualidade da TV Gazeta. Essa noite foi motivo de orgulho para MRV e para toda Alagoas”, concluiu.

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