loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 25/06/2026 | Ano | Nº 6253
Maceió, AL
25° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Caderno B

JÁ VIMOS

‘Supergirl’ estreia nos cinemas como nova aposta da DC nas mãos de James Gunn

Com direção de Craig Gillespie e roteiro de Ana Nogueira, filme chega hoje (25) nas telonas

Ouvir
Compartilhar
Imagem ilustrativa da imagem ‘Supergirl’ estreia nos cinemas como nova aposta da DC nas mãos de James Gunn
| Foto: Divulgação

Kara Zor-El apareceu pela primeira vez no novo universo DC no final de "Superman", ano passado, bêbada, tropeçando, sendo derrubada pelo cachorro Krypto. Em trinta segundos de tela, a australiana Milly Alcock reescreveu o que muita gente achava que sabia sobre a personagem. Hoje (25), "Supergirl" chega aos cinemas brasileiros carregando o peso daquela expectativa — e Alcock, de 26 anos, carrega quase tudo isso nas costas sozinha.

O filme é o segundo produzido por James Gunn e Peter Safran à frente do DC Studios e adapta a aclamada minissérie em quadrinhos "Supergirl: Mulher do Amanhã", de Tom King, ilustrada pela brasileira Bilquis Evely. A direção ficou com Craig Gillespie, o mesmo de "Eu, Tonya", e o roteiro é assinado por Ana Nogueira, atriz com pai brasileiro que estreia nas grandes produções como roteirista e já saiu do filme com mais dois contratos na DC — escreverá "Mulher-Maravilha" e "Titãs".

A trama segue Kara celebrando seu 23º aniversário num planeta de sol vermelho, onde não tem poderes e pode beber à vontade, quando encontra Ruthye (Eve Ridley), uma jovem alienígena que quer vingança pela morte do pai. As duas partem juntas numa jornada intergaláctica que vai de bar em bar e de luta em luta.

O que Alcock faz com Kara é genuinamente notável. A personagem é uma sobrevivente que viu seu planeta ser destruído enquanto era adolescente, cresceu carregando isso e chegou à Terra tarde demais para ter algum sentido de pertencimento. Diferente do primo, que saiu de Krypton bebê e foi criado numa fazenda no Kansas com pais amorosos, Kara sabe exatamente o que perdeu. A atriz conhecida por "A Casa do Dragão" constrói uma heroína que esconde a melancolia atrás de indiferença, mas sem deixar a indiferença vencer. James Gunn chegou a dizer numa entrevista que ela talvez seja "o melhor trabalho de casting que fiz na minha vida inteira". É difícil discordar.

O problema do filme está em praticamente tudo que não é ela. Krem, o vilão interpretado por Matthias Schoenaerts, é uma figura inteiramente genérica — todo de preto, cheio de piercings, sem motivação clara, quase indistinguível dos próprios capangas que o cercam. A estética remete, involuntariamente, aos mercenários espaciais da trilogia "Guardiões da Galáxia", o que é uma ironia considerando que Gunn é o copresidente do estúdio. A questão dos poderes da protagonista também enfraquece o filme ao longo da narrativa: Kara é tão absurdamente poderosa que o roteiro precisa criar uma sequência de justificativas para tirá-la de cena e equilibrar as forças com o antagonista, e a terceira ou quarta explicação para isso já não convence.

Imagem ilustrativa da imagem ‘Supergirl’ estreia nos cinemas como nova aposta da DC nas mãos de James Gunn
| Foto: Divulgação

Jason Momoa como Lobo é um caso à parte. O ator, que era Aquaman no universo anterior da DC, esbanja carisma e funciona bem como alívio cômico, mas a inclusão do personagem parece mais uma concessão ao fã de quadrinhos do que uma necessidade narrativa. Lobo não estava na minissérie original e poderia ser removido do filme sem que o enredo perdesse nada relevante — uma estranheza para um projeto com a assinatura de Gunn.

Visualmente, o longa equilibra bem seus momentos. O uso do neon, os cenários alienígenas e as sequências no espaço têm personalidade própria e combinam com o tom da protagonista. Gillespie conduz com firmeza, mas sem o brilho que o material exigiria em alguns momentos do terceiro ato, quando a paleta escurece para um marrom dominante que apaga boa parte do que havia funcionado antes.

O que fica, ao final, é Milly Alcock. A parceria dela com Eve Ridley tem química real e ancora o filme onde o roteiro tropeça. Ruthye é a narradora da história e a razão pela qual Kara encontra algo parecido com um propósito — e a relação entre as duas é o que mantém o espectador investindo quando o filme perde ritmo. "Só sua pura humildade", disse Alcock sobre o que a conquistou ao ler os quadrinhos de Tom King. "Fiquei apaixonada pelas imagens do mundo que estava diante de mim. É vibrante, vívido e espetacular".

Confira onde assistir em Maceió | Filme está em cartaz no Cinesystem

Relacionadas