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Para se orgulhar

De arraiá sáfico a cinema, saiba onde aproveitar o Dia do Orgulho em Maceió

Festas e sessão com produções audiovisuais locais celebram Dia do Orgulho LGBTQ+ na capital alagoana

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Imagem ilustrativa da imagem De arraiá sáfico a cinema, saiba onde aproveitar o Dia do Orgulho em Maceió
| Foto: Divulgação

No Brasil, junho é mais frio. Em outros lugares do mundo, as temperaturas ultrapassam os 40 graus. Mas tem uma data desse mês que atravessa os fusos horários, as estações e até mesmo os idiomas: 28 de junho — o Dia Internacional do Orgulho LGBTQ+. Independentemente da temperatura, o 28 de junho costuma ser um convite para a mesma coisa: ocupar espaços, encontrar pessoas parecidas com você e celebrar existências que nem sempre puderam ser vividas livremente.

A história por trás da data remonta a 1969, quando frequentadores do bar Stonewall Inn, em Nova York, reagiram a uma série de abordagens policiais contra pessoas da comunidade. Com o aumento da violência policial, os protestos que se seguiram tornaram-se um marco na luta por direitos civis e transformaram o 28 de junho em símbolo internacional de resistência. Um ano depois, em 1970, ocorreram as primeiras paradas do orgulho em Los Angeles, Nova York e São Francisco.

Mais de cinco décadas depois, o orgulho continua encontrando novas formas de ocupar as cidades. Em Maceió, a data será celebrada neste fim de semana em eventos que unem festa — encontrando, inclusive, a sanfona, o xote e as bandeirolas. Na madrugada que liga os dias 27 e 28 de junho, a Festa das Sáficas promove um arraiá voltado para mulheres que se relacionam com mulheres e pessoas não binárias. A proposta une elementos tradicionais dos festejos juninos a um espaço pensado para acolhimento, convivência e celebração da diversidade.

Os maceioenses também podem aproveitar o Jaraguá Pride Festival, na tarde do dia 28, ou, para quem prefere o cinema, a “Sessão MLHRS+: Sapatonices em cena”.

Para a DJ Clariar, uma das idealizadoras da Festa das Sáficas e uma das atrações da Pride, encontros como esses vão além do entretenimento. “A importância da parada LGBTQIAPN+ é inegável, mas não são só nesses momentos que eu sinto orgulho. Não são só em grandes festivais, mas é importante sim que esses grandes festivais existam. Eu sinto orgulho quando eu estou dançando na pista de dança, por fazer coisas grandes para a minha comunidade. Eu sinto orgulho por ser uma mulher lésbica todo o tempo, o dia todo, toda hora. Eu sou uma mulher lésbica fazendo entrevista para a Gazeta. Eu sou uma mulher lésbica dando aula. É uma mulher lésbica assistindo filme, é uma mulher lésbica andando na rua. Eu sinto orgulho o tempo inteiro”, conta.

Segundo ela, um arraiá sáfico é importante por reivindicar representatividade em contextos tradicionais. “Ser duas noivas é uma forma de mostrar que estamos curtindo São João da nossa maneira, sempre respeitando a tradição dos costumes, das vestimentas, da música, da comida, só que também dizendo que existimos e reivindicando esse espaço pra gente”, afirma.

Além de Clariar, as celebrações na capital alagoana contam com diversos artistas. No Jaraguá Pride, o público poderá acompanhar as apresentações de Sofia Dragun, Gil, Alexis, Gigi Banks, Brigadeiro e Foxes, além de participar de concursos de dança, maquiagem e mais — tudo inspirado em movimentos que fizeram parte da trajetória LGBTQ+.

A pista de dança, porém, também carrega outro tipo de memória. Clariar conta que muitas das músicas que hoje embalam seus sets foram, um dia, ouvidas em segredo. “Eu chorava fazendo meu set. Tem músicas que eu escutava escondida no meu quarto, porque não podia contar quem eu era”, conta, ao relembrar sua primeira apresentação no Dia do Orgulho.

No repertório, aparecem nomes como Cássia Eller, Ana Carolina e Maria Bethânia, além de artistas internacionais que marcaram sua descoberta pessoal da identidade sáfica. “Essas músicas contam histórias de amor entre mulheres. Hoje, eu só estou dando forma a isso em um palco”, diz.

*Sob supervisão da editoria de Cultura

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