MÚSICA NOVA
Lucas Bezerra lança 'O arqueiro zen' com Rita Benneditto e anuncia álbum com releituras de Totonho
Single chega às plataformas digitais nesta quarta-feira (8), abrindo caminho para "Eu Mandei Meu Amor pro Espaço", disco previsto para agosto
Entre o Cariri cearense e o litoral alagoano, Lucas Bezerra carrega um mapa que, entre outras coisas, é também sonoro. Nele cabe também o Cariri paraibano de Totonho, cujo cancioneiro o cantor recomeça a percorrer nesta quarta-feira (8), quando chega às plataformas digitais o single “O Arqueiro Zen”, parceria com a cantora maranhense Rita Benneditto. A faixa abre caminho para o álbum “Eu Mandei Meu Amor pro Espaço”, homenagem a Carlos Antônio Bezerra da Silva, o Totonho, com lançamento previsto para agosto pelo selo Cantores del Mundo.
Lucas nasceu no Crato, cresceu em Orós, cidade natal de Raimundo Fagner, e hoje é radicado em Maceió, capital de Djavan. Totonho, por sua vez, nasceu em Monteiro, no Cariri paraibano, região vizinha à de origem de Lucas. É no cruzamento desses caminhos que Lucas parece confiar.
As gravações do álbum vindouro se estenderam entre 2023 e 2026 por estúdios do Rio de Janeiro, Recife, João Pessoa e Maceió, com passagens também por Copenhague, na Dinamarca, e por Malmö, na Suécia. O itinerário acompanha o mesmo movimento que embala boa parte do cancioneiro de Totonho, entre o sertão de origem, o litoral e a cidade, entre o Brasil e outras paragens. Para Lucas, essa geografia dispersa também define o método de trabalho do disco, erguido aos poucos, faixa após faixa, entre viagens e estúdios diferentes. Nos desencontros, tudo parecia se encaixar.
Totonho está presente na trajetória de Lucas Bezerra há muito tempo. A referência, ele conta , impacta inclusive a forma como pensa a música. “Totonho faz da palavra e da imagem um par. São empareadas mesmo, agarradas uma à outra até o osso. Em ‘O Arqueiro Zen’, isso aparece com toda força: um toureiro descuidado, um latino em Nova York, um homem-bomba incendiado, um brasileiro no metrô. É irresistível. A cabeça pensa, o coração sente e, se brincar, até vice-versa. É como se a palavra nunca viesse sozinha: ela já chega carregando um mundo inteiro. Tô falando de realidade, mas também tô falando de fantasia. Mas a quantidade de mundos possíveis fica por conta de quem escutar a música”, reflete.
A parceria com Rita Benneditto reúne essas duas trajetórias migrantes. A cantora maranhense e o compositor paraibano, que deixaram seus estados de origem, encontraram-se décadas atrás no eixo Rio-São Paulo. Lucas, que se declara admirador da cantora, resume a importância do feat.: “Feliz do país que tem Rita Benneditto como uma de suas cantoras. Gravar com Rita, tê-la nesse disco é uma alegria gigantesca”.
Lucas ainda recorre a “Tecnomacumba”, álbum lendário de Rita Benneditto, para explicar a origem do projeto: “Acho bonito pensar que o Tecnomacumba é contemporâneo de Sabotador do Satélite, um álbum de Totonho que foi decisivo na escolha em fazer esse álbum com releituras. De certa forma, essa gravação acaba reunindo trajetórias que já conversavam há muito tempo”.
Radicado em Maceió, Lucas integra o catálogo do selo Cantores del Mundo, fundado pela chilena Tita Parra e hoje sediado no Rio de Janeiro. Seu diálogo com a cena contemporânea já passou por parcerias com Juliana Linhares, presente na faixa-título do EP de estreia “Transito” (2021), e com o arapiraquense Ítallo França. Os dois fazem coro em faixas de “Eu Mandei Meu Amor pro Espaço”.
Nos últimos anos, Lucas já dividiu palco com nomes como Junio Barreto, Cris Braun, Mona Gadelha e o próprio Totonho, além de participar de projetos ao lado de Juba, João Sampaio, Dora Motta e do argentino Marcos Raviolo. O show do EP “Transito” passou por João Pessoa, Fortaleza, Recife, Maceió, Rio de Janeiro e São Paulo.
A produção musical de “O Arqueiro Zen” é assinada por Arthus Fochi, também responsável pelo violão na faixa, com direção artística de Laurita Dias. O arranjo reserva espaço para o clarinete de Morten Lind e o violoncelo de Rennan Lindemute, e a mixagem e masterização ficaram a cargo de Gui Marques, no Estúdio Frigideira, na Glória, Rio de Janeiro. As captações de áudio ficaram a cargo de Felipe Moura, Gui Marques e Davi Mello no Rio de Janeiro, de Jader Finamore e Rafael Souza Faria em João Pessoa e de Dinho Zampier em Maceió, enquanto o projeto gráfico do álbum é assinado por Iramaya Rocha.
Entre as faixas que devem compor o álbum completo, Lucas reserva a “O Arqueiro Zen” um lugar particular dentro do repertório de releituras: “O Arqueiro Zen talvez seja a canção mais espiritual do disco. Ela preserva essa unidade de universo enquanto pega estrada por outras rodovias”, declara.
O lançamento está disponível em todas as plataformas digitais. Para acompanhar o artista nas redes, basta acessar o @lucasbezerra_a.