CINEMA
Sam Neill, o Dr. Alan Grant de ‘Jurassic Park’, morre aos 78 anos
Ator neozelandês que atuou em mais de 150 produções ao longo de cinco décadas morreu nessa segunda-feira (13)
Sam Neill morreu nessa segunda-feira (13), aos 78 anos, em Sydney. A família anunciou a morte nas redes sociais sem detalhar a causa, mas informou que o ator estava “livre do câncer” quando faleceu. Neill havia recebido diagnóstico de linfoma de células T angioimunoblástico em março de 2022 e descreveu em suas memórias de 2023, “Did I Ever Tell You This?”, que enfrentava um linfoma não-Hodgkin em estágio três.
Nascido Nigel John Dermot Neill em 14 de setembro de 1947 em Omagh, na Irlanda do Norte, filho de um oficial do exército britânico neozelandês e uma mãe inglesa, ele se mudou aos 7 anos com a família para a ilha Sul da Nova Zelândia. Foi lá que, aos 11 anos, abandonou o nome Nigel — que, segundo ele, “era pedir por problemas” num pátio de escola neozelandês — e adotou Sam, inspirado em personagens de faroeste. Descreveu a mudança como “provavelmente a melhor decisão que tomei na minha vida.”
Formado em literatura inglesa pela Universidade de Victoria em Wellington, em 1970, Neill começou no teatro antes de ingressar na National Film Unit da Nova Zelândia, onde dirigiu documentários e fez suas primeiras aparições em filmes. O passo decisivo veio quando foi escalado para o drama australiano “My Brilliant Career” (1979), ao lado de Judy Davis, e rapidamente pediu demissão do emprego fixo para se mudar para Sydney e tentar a carreira internacional. A estreia em Hollywood veio em 1981, interpretando o Anticristo em “A Profecia 3: O Conflito Final.”
Ao longo de cinco décadas, acumulou mais de 150 produções em gêneros e continentes distintos. Ficou mundialmente conhecido como o paleontólogo Dr. Alan Grant em “Jurassic Park” (1993), de Steven Spielberg, papel que retomou em sequências da franquia. Também integrou o elenco de “O Piano” (1993), de Jane Campion, “Hunt for the Wilderpeople” (2016), “Thor: Amor e Trovão” (2022) e duas temporadas de “Peaky Blinders”. Foi indicado a dois Emmys e três Globos de Ouro ao longo da carreira.
Fora das telas, manteve vida enraizada na Nova Zelândia. A partir de 1993, produziu vinhos sob o rótulo Two Paddocks, em Central Otago, e fazia questão de manter os preços acessíveis. “Eu odiaria pensar que meu vinho estava sendo bebido apenas por incorporadores imobiliários”, disse ao The Guardian. Em 2009, recusou o título de cavaleiro por considerá-lo “grandioso demais”, mas acabou aceitando a honraria em 2022, tornando-se Sir Sam Neill.
As homenagens vieram rapidamente do meio artístico. Steven Spielberg disse à Variety que Neill “jamais será esquecido”. “Adorei fazer todos os filmes de ‘Jurassic’ com ele. Junto de Laura Dern e Jeff Goldblum, sempre teremos nossa família Jurassic.” Laura Dern, sua parceira na franquia, o descreveu como “querido amigo de longa data” que lhe mostrou “a profundidade da lealdade, da proteção e do amor, sempre com um humor ácido e peculiar.” Nicole Kidman, que contracenou com ele em “Terror a Bordo”, lembrou o momento em que se conheceram, quando ela tinha 18 anos. “Ele me acolheu e viramos amigos para toda a vida. Era charmoso, gentil, engraçado e inteligente.”
O diretor Colin Trevorrow, que trabalhou com Neill em “Jurassic World: Domínio”, destacou a calma que o ator trazia ao set. “Vou me lembrar dele por sua tranquilidade, seu amor pelo vinho e pela calma e segurança que trazia aos seus personagens. Não é toda vida que se tem a oportunidade de ser amigo de uma lenda.”
Neill deixa seus irmãos Michael e Juliet, e três filhos — um filho do relacionamento com a atriz Lisa Harrow e duas filhas do casamento com a maquiadora Noriko Watanabe.