NESTE SÁBADO
Samba da Periferia e Leite de Rosas e Alfazema misturam samba e brega em Maceió
Espetáculo estreia no Festival Dose Dupla, neste sábado, 25 de julho, no Espaço Armazém
Samba e brega nunca precisaram ser rivais, mas em Maceió ninguém tinha ainda colocado os dois no mesmo palco para provar isso. O Festival Dose Dupla, que estreia no dia 25 de julho no Espaço Armazém, propõe exatamente esse encontro: Samba da Periferia e Leite de Rosas e Alfazema dividem a noite num espetáculo onde clássicos do samba ganham sotaque romântico e sucessos do brega se refazem no balanço do samba.
A ideia nasceu de um encontro anterior. A Leite de Rosas e Alfazema abriu uma edição do Samba pra Jorge, evento tradicional do Samba da Periferia, e a resposta do público deixou claro que havia ali algo além de uma abertura. A produtora Karina Liberal, da FK Produções, foi direta sobre o que viram naquela noite: “Quando vimos o público cantando, dançando e vivendo aquele momento, percebemos que existia algo muito maior ali. O Dose Dupla nasceu dessa inquietação de oferecer uma experiência diferente”.
O formato do festival brinca com a ideia de duelo, mas a referência é afetiva. Beer, vocalista e um dos líderes do Samba da Periferia, buscou inspiração nos antigos embates que os fãs criavam em torno de nomes como Adelino Nascimento e José Orlando. “A música não é um esporte para existir competição. O duelo é uma brincadeira, uma homenagem aos grandes encontros do passado. No palco, o que vai existir é uma confraternização”, explica.
O Samba da Periferia chega ao festival com dez anos de trajetória e um lema que define sua postura desde o começo: “tudo vira samba”. O grupo sempre apostou em misturar repertórios e receber artistas de estilos distintos. “Por ser considerado um dos símbolos da identidade musical brasileira, o samba tem a obrigação de abraçar outros gêneros. O que importa é ser música boa”, defende Beer.
A Leite de Rosas e Alfazema é mais recente, mas já conquistou espaço próprio ao tratar o brega com arranjos elaborados, banda completa e metais, sem caricatura. À frente está Phella, conhecido por sua passagem de vinte anos pelo rock alagoano com a Som de Vinil, que encontrou no repertório romântico das décadas de 1970, 1980 e 1990 uma forma de resgatar memória afetiva com produção cuidadosa. “A gente toca brega, mas, na verdade, entrega nostalgia”, resume o diretor executivo Márcio Cássio. Para Phella, o show funciona como um reencontro: “Quem viveu uma época sem celular, ouvindo música no rádio e na vitrola, encontra no nosso show uma memória gostosa e um orgulho de ser do seu tempo”.
O festival também toca num ponto que músicos alagoanos discutem há anos. “Maceió é carente de todos os tipos de evento. Precisa de mais samba, mais forró, mais rock. A cidade é um celeiro de músicos excepcionais, mas ainda tem poucos palcos”, avalia Márcio Cássio.
Serviço: Festival Dose Dupla | 25 de julho, a partir das 18h | Espaço Armazém | Ingressos: Viva Alagoas, Folia Brasil e uniqueingressos.com.br/evento/festival_dose_dupla/1078 | Realização: FK Produções e Soluções Artísticas.