PARTICIPAÇÃO DE ALAGOANO
Festival de Gramado começa nesta quarta; confira destaques
Um dos mais importantes eventos de cinema do país terá exibições de filmes inéditos, homenagem a Renata Magalhães e curta com participação de alagoano
O Festival de Cinema de Gramado chega nesta quarta-feira (12) à sua 54ª edição, abrindo a programação com mostras estudantis e universitárias antes da abertura oficial, marcada para sexta-feira (14). Realizado ininterruptamente desde 1973 na Serra Gaúcha, o evento é considerado o festival de cinema mais tradicional do Brasil e um dos mais relevantes da América Latina. A curadoria de 2026 selecionou longas de ficção brasileiros, longas documentais, produções gaúchas e doze curtas nacionais para a disputa pelo Kikito, o troféu que define os vencedores de cada categoria. A cerimônia de premiação acontece no dia 22.
A Mostra Competitiva de Longas-Metragens Brasileiros reúne seis produções inéditas no Brasil, sendo que três delas marcam a estreia de seus diretores em longas de ficção. A curadoria é assinada pelas atrizes Ana Flávia Cavalcanti e Camila Morgado e pelo jornalista e crítico de cinema Marcos Santuario. Entre os filmes selecionados estão “Chorão: Só os Loucos Sabem”, cinebiografia do vocalista do Charlie Brown Jr. estrelada por José Loreto, e “Pele de Rinoceronte”, que traz Débora Falabella no papel de uma repórter popular em trama inspirada no assassinato de Ângela Diniz. Também concorrem “Feito Pipa”, de Allan Deberton, com Lázaro Ramos, “Justino: Nos Bastidores do Reino”, de José Eduardo Belmonte, “Leite em Pó”, de Carlos Segundo, e “Nosso Segredo”, estreia na ficção da dramaturga e atriz Grace Passô.
A abertura oficial, na sexta, fica por conta de “Antártida”, de Bruno Safadi, exibido fora de competição. O filme reúne Andrea Beltrão, Marina Ruy Barbosa, Leandra Leal, Antonio Calloni, Lázaro Ramos e João Vitor Silva. Na trama, uma agressão ocorrida dentro de uma base científica brasileira na Antártida transforma todos os homens presentes em suspeitos, enquanto uma investigação liderada por mulheres tenta descobrir o responsável. O longa estreia nos cinemas em 17 de setembro.
O festival homenageia cinco personalidades nesta edição. Marcos Caruso recebe o Troféu Cidade de Gramado, honraria que reconhece profissionais que contribuíram para fortalecer a história do festival e do audiovisual brasileiro. Andrea Beltrão é agraciada com o Troféu Oscarito, que celebra profissionais com contribuição ativa ao cinema nacional. A produtora Renata Almeida Magalhães — viúva do cineasta alagoano Cacá Diegues e primeira mulher eleita presidente da Academia Brasileira de Cinema — recebe o Troféu Eduardo Abelin. Maria Fernanda Cândido e Selton Mello receberão o Kikito de Cristal, prêmio destinado a grandes nomes do cinema brasileiro com projeção internacional.
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ALAGOAS
A Mostra Competitiva de Curtas-Metragens Brasileiros reúne 12 produções de sete estados, e uma delas tem participação alagoana indireta, mas significativa. “Graxa e o Zepelim”, classificado como produção pernambucana, contou com a pesquisa do professor Rafael de Oliveira Rodrigues, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Federal de Alagoas. O curta de 21 minutos é dirigido pelo professor Camilo Soares, da UFPE, e pelo músico Ângelo de Souza, e mistura documentário, musical e ficção científica para abordar a passagem do dirigível Graf Zeppelin pelo bairro do Jiquiá, no Recife, nos anos 1930, conectando esse episódio histórico às questões sociais vivenciadas pelos moradores do bairro na atualidade.
A participação de Rodrigues no projeto deriva diretamente de sua pesquisa de mestrado sobre a antiga base de atracação de zeppelins no Jiquiá, financiada pelo CNPq. Para o professor, a seleção representa uma oportunidade de ampliar a visibilidade das narrativas construídas pelos próprios moradores. “Fiquei muito satisfeito com a seleção do curta para o festival, primeiro pelo protagonismo dos moradores do bairro no filme e, segundo, por ter contribuído com minha pesquisa de mestrado. Também pela possibilidade de concorrermos ao Prêmio Kikito e de compartilharmos com o público o que tem sido feito em termos de novas narrativas do cinema brasileiro”, afirmou.