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LITERATURA

Carlito Lima lança romance sobre amor na velhice e memória de Maceió

Aos 86 anos, escritor apresenta “Helena da Rua das Árvores”, romance sobre dois idosos que retomam um amor da juventude após décadas separados

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O escritor Carlito Lima lançou nessa sexta-feira (14) seu nono romance
O escritor Carlito Lima lançou nessa sexta-feira (14) seu nono romance | Foto: AILTON CRUZ

Carlito Lima nasceu em 1940, na Avenida da Paz, num Jaraguá que era o mesmo, mas era outro ao mesmo tempo. Virou engenheiro, fez carreira no Exército, voltou para Maceió. Aos 61 anos publicou seu primeiro livro. Desde então não parou mais. “Helena da Rua das Árvores”, lançado nessa sexta-feira (14), é seu nono romance, e o escritor tem 86 anos.

O livro acompanha Helena que passou a infância e a adolescência na Rua das Árvores, no Centro de Maceió, e viveu intensamente a cidade e sua época. Depois de 40 anos de casamento, já com os filhos adultos, ficou viúva. Ainda no enterro do marido, reencontrou Bernardo, o amor da adolescência. Ela com 67 anos, ele com 70 — e os dois não esperaram o luto baixar. O próprio Carlito antecipou, antes do lançamento, que estava escrevendo uma história com idosos como amantes apaixonados, e que não se conformava com o fim da vida, nem da criatividade: “Eu quero mais”.

A amizade com Cacá Diegues, que assina a contracapa, vem de longa data. Os dois cresceram juntos na Avenida da Paz, jogaram bola, tomaram banho no Salgadinho. “Cacá foi meu vizinho desde que nascemos, na Avenida da Paz. A gente cresceu junto. A amizade atravessou a vida inteira. Ele fazia cinema, eu fazia memória. Mas no fundo, a gente contava a mesma Alagoas, o mesmo Brasil”, disse o escritor em entrevista à Gazeta de Alagoas. Na contracapa do novo romance, Diegues escreveu que a obra “tem uma força telúrica, mantém o saudável desejo de reinventar a literatura nordestina, modernizar seus temas e seus hábitos, sua capacidade de abordar mundos antes proibidos, talvez até por um falso rigor moral. O que se destaca na ficção de Carlito e em sua cultura local é justamente a busca pela liberdade”.

Para a escritora Vera Romariz, “Helena” marca uma virada no tom da obra de Carlito: as gargalhadas características do Velho Capita cedem espaço a uma consciência melancólica da finitude, tratada com delicadeza. “Nesse livro, a gargalhada cede lugar ao domínio dos afetos necessários, que embelezam e dignificam a existência humana”, escreveu Romariz.

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O lançamento ocorreu no Theatro Homerinho, na Rua Sá e Albuquerque, no Jaraguá — bairro que Carlito ajudou a preservar na memória e na pedra: foi ele o mentor da placa “Memorial da Rapariga Desconhecida”, instalada pela Confraria do Sardinha numa esquina do bairro em homenagem às mulheres que, segundo o escritor, foram as principais responsáveis pela preservação dos casarões históricos do lugar.

O QUE DIZEM SOBRE CARLITO

Carlito, meu mestre, grande escritor e memorialista, com muitos cheiros, carinho e admiração eternos. Querido amigo, agradeço seu último livro com três lindas histórias femininas. Me pergunto como você conseguiu se colocar tão bem na pele das mulheres. Genial. Carinho e admiração por você, Carlito Lima, imenso brasileiro e escritor tão apaixonante, contribuição maior à memória de nosso país. Bravo!

MARY DEL PRIORE, historiadora e escritora

O talento, a competência e a dedicação do escritor Carlito Lima realizaram a FLIMAR. Gente de todo o país, do Rio Grande do Sul ao Amapá, e da América Latina, compareceu: jornalistas, escritores, conferencistas, poetas, cantores, grupos de teatro, folclore. Durante cinco dias, diante de suas igrejas barrocas, sobrados patinados e praças de pedras seculares, a cidade tornou-se um anfiteatro da cultura a céu aberto.

SEBASTIÃO NERY, jornalista

Se você não conhece o Carlito Lima, não sabe o que está perdendo.

ALDEMAR PAIVA, artista nordestino, parafraseando Chico Anísio.

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