LITERATURA
Maceioense Guilherme Ramos vence o Prêmio Sesc de Literatura 2026
“Geografia do desconforto” foi escolhido entre 1.203 obras inscritas por um júri formado pelos poetas Cida Pedrosa e Edimilson de Almeida Pereira
Guilherme de Miranda Ramos tinha 10 anos quando a mãe trouxe para casa uma revista com um poema dentro. Ele leu, ficou encantado e passou a reescrever o texto como se fosse seu. Ontem, aos 54 anos, o escritor e compositor maceioense venceu o Prêmio Sesc de Literatura 2026 na categoria Poesia com “Geografia do desconforto” — e o livro será publicado pela Editora Senac Rio.
A obra percorre três eixos: memória familiar e heranças afetivas, trabalhadores invisibilizados nas cidades e questões existenciais ligadas ao corpo, ao tempo e à solidão. “Para esse livro eu saí da minha zona de conforto e experimentei formatos que antes eu não tinha coragem”, disse o autor ao ser anunciado vencedor.
“Estou ansioso para encontrar outros escritores, trocar experiências com essas pessoas e ser fonte de inspiração para que eles não desistam dos seus sonhos, como eu não desisti do meu”, complementou Ramos.
Além de escritor, Guilherme é compositor e produtor cultural. É autor de livros infantis e de crônicas, idealizador do Intermídia Estúdio de Criação e do projeto Quarentemas, e compõe trilhas sonoras para literatura, audiovisual e artes cênicas. O júri de poesia foi formado pela poeta Cida Pedrosa, vencedora do Jabuti por “Solo para Vialejo”, e pelo poeta e professor Edimilson de Almeida Pereira, vencedor dos prêmios Oceanos e São Paulo de Literatura.
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O prêmio, criado em 2003, é voltado exclusivamente a autores inéditos na categoria em que concorrem — ou seja, quem nunca publicou um livro de poesia pode se inscrever mesmo que já tenha publicado romances ou contos. Esta edição bateu recorde com 2.969 inscrições, sendo 1.203 delas de poesia. Os vencedores recebem R$ 30 mil e têm os livros publicados e distribuídos na rede de bibliotecas e escolas do Sesc em todo o país. Ao longo de 23 edições, o Sesc de Literatura já recebeu cerca de 27 mil originais e revelou 46 novos autores ao mercado editorial.
As outras duas categorias foram vencidas por autores também estreantes. Em romance, Mariana do Nascimento Ramos, professora e escritora carioca radicada em Brasília, venceu com “A vontade das coisas mortas”, sobre uma professora que tenta reconstruir a vida após sobreviver a um massacre escolar. Em conto, o paraibano Anacã Agra, professor universitário de literatura com mais de 30 anos de produção inédita, levou o prêmio com “A replicação do sangue” — e confessou que uma semana antes do resultado havia pensado em desistir de publicar. “Faz mais de 30 anos que eu produzo e ainda não havia conseguido um ‘sim’. Agora eu não desisto mais”, disse.
Os três livros serão lançados e apresentados ao público em cerimônia com noite de autógrafos no fim do ano, e depois distribuídos em livrarias de todo o país.