FESTA EM PIRANHAS
Festival Vozes do Velho Chico reúne música, cinema e cultura popular em Piranhas
Festival ocupa o Centro Histórico e as margens do São Francisco com música, cinema, teatro, cultura popular e discotecagem em vinil nos dias 4 e 5 de setembro
Piranhas já foi porto de embarcações que subiam o São Francisco, parada obrigatória de D. Pedro II em 1859, cenário do fim do cangaço quando a cabeça de Lampião foi exibida nas escadarias da prefeitura em 1938. Suas ruas de pedra e seus casarões coloniais do século 19 guardam o peso dessas e de tantas outras histórias. Neste fim de semana, nos dias 4 e 5 de setembro, o Vozes do Velho Chico 2026 toma o Centro Histórico e as margens do Velho Chico com palhaçaria, cortejo de boi, rabeca, pífano, cordel, cinema alagoano e discotecagem em vinil — transformando a cidade num convite aberto para navegar de uma vez na história e na arte que ainda a faz brilhar.
Na sexta-feira (4), o festival começa pelas ruas. Às 16h, o público se concentra na Nossa Bodega, ponto de encontro que virou marca do evento ao longo dos anos. Na sequência, o Teatro de Retalhos, de Pernambuco, leva a palhaçaria ao espaço público — o riso solto entre os casarões coloniais. Às 18h, Mestre Laércio, de Pão de Açúcar, conduz o Cortejo do Boi do Chico pelas ruas do Centro Histórico, levando uma das expressões mais vivas da cultura popular alagoana para dentro desse cenário de pedra e memória. A noite se encerra com o Sarau de Todas as Vozes, às 19h, com Junior Rutur, de Sergipe, e Xand Farra, de Alagoas. Todas as atividades da sexta são gratuitas.
No sábado (5), a programação migra para a Pousada Trilha do Velho Chico, onde o São Francisco divide a cena com os artistas. A tarde começa com a Banda de Pífano da Casa, na Nossa Bodega, e a Feirinha do Vozes, às 16h, abrindo espaço para o encontro entre público, economia criativa e produção cultural. Às 17h, a DJ Talita inicia o período musical com um set 100% vinil construído sobre duas décadas de pesquisa dedicada à música popular brasileira, à produção nordestina e às vozes femininas. Colecionadora de vinil desde 2005, ela constrói narrativas sonoras que valorizam regionalidades e brasilidades.
Às 18h, o CineTrilha exibe três produções alagoanas: “A Gente Foi Feliz Aqui”, “O Mapa em que Estão Meus Pés” e “Álbum do Bebê” — filmes que ampliam o diálogo entre território, memória e identidade, tornando a programação ainda mais alagoana do que o São Francisco que passa ali do lado.
MP Eleitoral emite parecer pelo deferimento da candidatura de Lenilda Luna ao governo
Renan Filho critica JHC por não participar de debates e entrevistas na campanha
TRE avança no julgamento de pedidos de registros de candidaturas em Alagoas
Renan Filho se reúne com setor de turismo e promete novos investimentos em Alagoas
Lenilda Luna faz panfletagem e apresenta propostas para a juventude em Maceió
A noite começa com a leitura cênica “Precisamos Falar Sobre Amor.te”, com a dramaturga Ticiane Simões, vencedora do II Concurso Nacional de Dramaturgia Flávio Migliaccio, acompanhada pela cantora e pesquisadora Isabela Barbosa. Viçosense, Isabela constrói sua trajetória entre música, memória, patrimônio e cultura afro-indígena — e traz para o palco do Vozes essa mesma costura de tempos e saberes que a cidade de Piranhas carrega nas pedras.
Escolhido pelo voto popular no Instagram do festival, o cantador e filósofo pernambucano Romildo Melodias sobe ao palco em seguida. Natural de Bom Conselho, ele reúne no espetáculo “Espessamento” voz, violão e viola numa experiência que cruza filosofia, poesia popular, afrolatinidades e ritmos nordestinos. É o tipo de artista que faz sentido numa cidade onde o tempo não corre em linha reta.
O encerramento musical fica com Cláudio Rabeca, um dos principais nomes da rabeca brasileira contemporânea, em sua estreia no Vozes. Nascido em Natal e radicado em Pernambuco, ele aprendeu com Mestre Salustiano e integrou o Quarteto Olinda, o Cavalo Marinho Estrela de Ouro e o Maracatu Nação Estrela Brilhante do Recife. Sua ligação com Alagoas vem de longe: guarda como uma das referências de sua formação o encontro que teve com o lendário Nelson da Rabeca, em Marechal Deodoro. O show atravessa forró, frevo, samba, coco, cavalo-marinho e maracatu — tudo o que o Nordeste inventou de melhor com sons que viajam. DJ Talita retorna às pick-ups para encerrar a noite com um novo set de música regional e brasilidades.
Criado em 2014 como homenagem ao São Francisco, o Vozes do Velho Chico tornou-se ao longo de mais de uma década um dos principais encontros culturais do Alto Sertão alagoano. A edição de 2026 é realizada pela Pousada Trilha do Velho Chico, com produção do Instituto Boibumbarte e recursos da Política Nacional Aldir Blanc, operacionalizados pela Prefeitura de Piranhas.
Programação completa:
Sexta-feira, 4 de setembro — Centro Histórico de Piranhas
- 16h — Concentração na Nossa Bodega
- 17h — Abertura oficial
- 17h10 às 18h — Palhaçaria com Teatro de Retalhos (PE)
- 18h às 19h — Cortejo do Boi do Chico com Mestre Laércio (AL)
- 19h às 20h30 — Sarau de Todas as Vozes com Junior Rutur (SE) e Xand Farra (AL)
Entrada gratuita
Sábado, 5 de setembro — Pousada Trilha do Velho Chico
- 16h — Banda de Pífano da Casa, na Nossa Bodega
- 16h — Feirinha do Vozes
- 17h — DJ Talita (set 100% vinil)
- 18h — CineTrilha: “A Gente Foi Feliz Aqui”, “Álbum do Bebê” e “O Mapa em que Estão Meus Pés”
- A partir das 19h — Leitura cênica “Precisamos Falar Sobre Amor.te” com Ticiane Simões e Isabela Barbosa
- Shows: Romildo Melodias (PE) e Cláudio Rabeca (PE)
- Encerramento: DJ Talita (set 100% vinil — música regional e brasilidades)
Ingressos: sympla.com.br/evento/vozes-do-velho-chico-2026/3525500