HOMENAGEM
Obra de Arnon de Mello é destaque em conferência da Academia Alagoana de Letras
Encontro realizado nessa quarta-feira (2), em Maceió, revisitou a produção literária e jornalística do fundador da OAM
Antes de se tornar o nome por trás do maior complexo de comunicação do Norte e Nordeste do país, Arnon de Mello foi um menino que carregava açúcar no Jaraguá. Trabalhou como office-boy num armazém antes de conseguir uma vaga como revisor no Jornal de Alagoas — e tinha apenas 14 anos. Foi esse contato precoce com o ambiente da redação que abriu caminho para uma trajetória que atravessaria o jornalismo, a literatura e, só depois, a política.
A trajetória como jornalista e escritor foi o fio condutor da conferência “A Verve Literária e Jornalística de Arnon de Mello”, ministrada pelo escritor e pesquisador Rosalvo Acioli nessa quarta-feira (2), na Casa Jorge de Lima, em Maceió. O encontro, promovido pela Academia Alagoana de Letras, integra as celebrações pelos 115 anos do nascimento de Arnon, membro efetivo da instituição, onde ocupou a cadeira 16.
Ainda aluno interno do Ginásio de Maceió, Arnon fundou o jornal estudantil O Eco. Aos 17 anos, já publicava textos em jornais e revistas de circulação nacional. Na década de 1930, dois livros contribuíram para projetar seu nome no cenário jornalístico e literário brasileiro: “Os Sem Trabalho”, publicado em 1931, e “São Paulo Venceu!”, de 1933. Em 1940, a Editora José Olympio lançou “África”, obra resultante de uma viagem ao continente.
Para Acioli, a produção de Arnon se destacou pela aproximação entre jornalismo e literatura. “Essa integração de jornalismo e literatura é muito importante na vida das pessoas e foi, para o Arnon de Mello, muito significativa, porque deu um norte e possibilitou vertentes para ele, como jornalista e como escritor”, disse.
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A conferência também destacou a inserção de Arnon no ambiente literário alagoano. Ainda jovem, ele passou a frequentar o Grêmio Literário Guimarães Passos, onde conviveu com escritores de diferentes gerações. Entre os nomes relacionados à sua trajetória estão Jorge de Lima, José Lins do Rego e Rachel de Queiroz.
Para o presidente da Academia Alagoana de Letras, Rostand Lanverly, a iniciativa busca preservar a memória de um dos integrantes da instituição e apresentar outras dimensões de sua trajetória. “Preservar a memória é tudo. Isso que a Academia Alagoana de Letras tem feito com todos aqueles que a integraram, como Jorge de Lima e Lêdo Ivo, nos seus aniversários. Setembro é o mês de Arnon de Mello — ele celebra, dia 19, 115 anos de nascimento. Vamos trabalhar com aquilo que fez Arnon de Mello um grande homem”, disse.
O legado de Arnon também foi tema da fala de Fernando James, diretor executivo da Organização Arnon de Mello (OAM). Para ele, a Gazeta de Alagoas não é apenas um produto do passado, mas uma presença contínua. “O maior complexo de comunicação do Norte e Nordeste do país na época, a Gazeta sempre esteve à frente do seu tempo. Continuamos acompanhando a modernidade. É um legado que permanece vivo”, afirmou. James também destacou a importância do momento na Casa Jorge de Lima para manter essa memória acessível às novas gerações. “É fundamental perpetuar a história daquele que tanto fez por Alagoas e pelo Brasil”, completou.
A conferência teve transmissão ao vivo e está disponível no canal da Academia Alagoana de Letras no YouTube.
*Sob supervisão da Editoria