FEMUSESC
‘Raízes de Alagoas’ reúne mestras, músicos e sanfoneiros neste domingo
Show do Sesc coloca no mesmo palco sete artistas ligados à preservação da cultura popular alagoana
Mestra Pastora tem 84 anos e é uma das principais guardiãs das tradições das lagoas Mundaú e Manguaba, especialmente da dança das baianas. Mestra Niza, Patrimônio Vivo do Estado de Alagoas, lidera em Coqueiro Seco o “Baianas Voltam a Sorrir”, manifestação de origem no maracatu. Chau do Pife, também Patrimônio Vivo, é um dos principais nomes do pífano no Brasil. Neste domingo (13), os três dividem o palco com Eliezer Setton, Tião Marcolino, Xexéu da Zabumba e Telma César no show “Raízes de Alagoas”, às 17h30, na Orla da Pajuçara.
A apresentação integra a programação da FEMUSESC, a Festa da Música do Sesc Alagoas, que celebra neste fim de semana os 80 anos da instituição. O show acontece logo após a apresentação de maracatu do coletivo Afrocaeté e antes do concerto de encerramento com Geraldo Azevedo e a Orquestra Filarmônica de Alagoas — o que significa que “Raízes de Alagoas” funciona como a transição entre duas linguagens distintas: a da cultura popular em estado vivo e a do erudito em encontro com o popular.
Eliezer Setton tem uma relação particular com a FEMUSESC: participou da primeira edição da festa. Sua presença no palco desta edição fecha um ciclo simbólico. Tião Marcolino é cantor, compositor, sanfoneiro, luthier e produtor musical — um dos nomes que atravessam diferentes territórios da música alagoana sem se fixar em nenhum rótulo. Xexéu da Zabumba percorre a apresentação inteira com o instrumento que dá nome ao seu apelido, sustentando a base rítmica do encontro.
Telma César, cantora, coreógrafa e professora da Ufal, chega ao palco com o projeto “Telma César e as Mensageiras da Alegria”, cuja base musical é o Baianá alagoano. Sua trajetória inclui pesquisas e projetos ligados ao coco e a outras manifestações da cultura popular do estado — e no “Raízes de Alagoas” ela se coloca ao lado das mestras, numa composição que reúne o saber acadêmico e o saber transmitido pela prática, pela oralidade e pela comunidade.
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O pífano de Chau, a zabumba de Xexéu, a sanfona de Tião, a voz de Eliezer e as danças das mestras não são elementos que costumam aparecer juntos num mesmo espetáculo. O show não tem pretensão de ser um inventário da cultura popular alagoana — é um encontro de trajetórias que raramente acontecem no mesmo espaço, numa noite que, pela programação que a cerca, já se anuncia como uma das mais densas dos 80 anos do Sesc em Alagoas.