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NOVO LIVRO

Alberto Rostand Lanverly transforma experiência familiar em livro sobre afeto e esperança

Presidente da Academia Alagoana de Letras lançou “Por quê? E para quê?” após acompanhar desafio enfrentado pelo neto Arthur, de 16 anos

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O escritor Alberto Rostand Lanverly, autor de “Por quê? E para quê?”
O escritor Alberto Rostand Lanverly, autor de “Por quê? E para quê?” | Foto: Ailton Cruz

Ninguém poderia imaginar que o presidente da Academia Alagoana de Letras (AAL), Alberto Rostand Lanverly, tem tatuagem. Mas não é só uma. São algumas. Nas costas, ele leva rostos e nomes familiares que acompanham sua trajetória e agora dividem espaço com o afeto que deu origem a mais um livro.

Engenheiro, professor e escritor, Rostand Lanverly é autor de obras como Para Sempre Lembrar, Arthur e a Ilha do Trovão, Mãe, As Cinco Pedras e Lelê e a Montanha Encantada. Em seu trabalho mais recente, Por quê? E para quê?, ele transforma em literatura a experiência vivida ao lado do neto Arthur, de 16 anos, durante um período de tratamento de saúde.

Arthur é filho da primogênita de Alberto Rostand Lanverly. Os dois sempre foram próximos. Caminhavam juntos, praticavam atividades físicas e compartilhavam o interesse pelo esporte. O adolescente passou pela natação, pelo futebol, pelo futsal e pelo futebol de campo, até chegar ao basquete. Com cerca de 1,90 metro de altura, chegou a integrar a equipe escolar do Santa Úrsula.

A rotina da família mudou depois que Arthur começou a apresentar um quadro persistente de anemia. Exames identificaram um adenocarcinoma no intestino. A partir daí, o adolescente foi encaminhado para tratamento em São Paulo. Segundo o avô, o material coletado foi enviado a um laboratório em Boston, nos Estados Unidos, onde foram analisadas as características da doença e indicada uma quimioterapia específica.

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O tratamento passou a ser realizado a cada 15 dias. Durante o período, amigos e familiares organizaram uma corrente de orações. Pessoas do Rio Grande do Norte também se uniram ao movimento, assim como um primo de Alberto que estava no Vaticano.

Imagem ilustrativa da imagem Alberto Rostand Lanverly transforma experiência familiar em livro sobre afeto e esperança
| Foto: Reprodução

Foi nesse contexto que o escritor começou a redigir uma carta para o neto. A ideia inicial era que Arthur lesse o texto quando tivesse a idade do avô. O projeto, no entanto, ganhou outras proporções. O que seria uma mensagem pessoal se transformou em um livro de aproximadamente 180 páginas.

“Eu comecei a escrever uma carta para ele ler quando tivesse a minha idade. Só que a carta foi crescendo, crescendo, e acabou virando um livro”, contou Lanverly.

Intitulada Por quê? E para quê?, a obra acompanha um período de 90 dias da vida do adolescente. O autor registra as etapas do tratamento, as conversas mantidas com o neto, os sonhos relatados por Arthur e as interpretações que surgiram ao longo daquele período. A narrativa também reúne reflexões de Alberto sobre a experiência familiar e sobre a relação entre avô e neto.

Arthur passou por sessões de quimioterapia no Natal e no Ano-Novo. No fim de fevereiro, os exames indicaram uma resposta que Rostand Lanverly considerou surpreendente ao medicamento. Em 5 de maio, o adolescente foi submetido a uma cirurgia que durou cerca de dez horas. Segundo o avô, os médicos não identificaram sinais visíveis da doença durante o procedimento e o jovem foi considerado curado.

A experiência também levou o escritor a retomar a relação com a própria mãe, Marlene Lanverly, que, segundo ele, foi sua mentora na escrita. A apresentação do livro foi redigida como se fosse uma mensagem da mãe para o filho.

“Minha mãe foi quem me ensinou a escrever. Então, eu fiz a apresentação como se fosse ela falando comigo”, explicou.

A edição de Por quê? E para quê? teve uma tiragem de 850 exemplares. Os livros foram produzidos para serem dados por Arthur como presente e distribuídos entre pessoas próximas da família. A obra não está à venda.

Na publicação, Alberto incluiu uma mensagem sugerindo aos leitores que façam uma doação à Associação dos Pais e Amigos dos Leucêmicos de Alagoas (Apala), em Maceió. O valor indicado é de R$ 37, em referência ao número usado por Arthur em sua camisa de basquete e que possui uma relação com a fé que guiou o desafio que a família enfrentou.

O livro já circula entre amigos do escritor e do adolescente.

O escritor destaca que a obra vai além do relato familiar. “Muitas pessoas estão falando do quanto encontram apoio na fé que tivemos juntos. Acredito neste livro como uma experiência compartilhada de fé, de coragem, de união. É um livro que traz conceitos importantes para todos, como o da ‘vozidade’, essa relação que apenas os avós desenvolvem com os netos. Foi um livro escrito para relatar a trajetória vitoriosa de um jovem contra uma tempestade que passou, foi um livro escrito com tintas do coração”.

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