AGENDA
Sonora Brasil reúne música indígena e afro-brasileira em Arapiraca e Maceió
Nderé Oblé apresenta “Ancestral-Futuro” no dia 2, enquanto Gean Ramos Pankararu encerra a programação alagoana em 30 de outubro; ambas as atividades têm entrada gratuita
O rio São Francisco corta o sertão de Pernambuco antes de chegar a Alagoas, e é ali, entre os municípios de Jatobá, Tacaratu e Petrolândia, que vive o povo Pankararu, cujo nome os próprios integrantes traduzem como “homens de fé e cura”. Foi nesse território que o cantor e compositor Gean Ramos construiu, ao longo de mais de duas décadas, uma carreira dedicada a levar a música indígena contemporânea para fora da aldeia, e é como Gean Ramos Pankararu que ele volta a se apresentar em Alagoas, agora em Maceió, no dia 30 de outubro, às 20h, no Arte Pajuçara. A apresentação fecha o mês que também recebe, no dia 2, no Sesc Arapiraca, o espetáculo Ancestral-Futuro, do coletivo gaúcho Nderé Oblé.
As duas datas integram a 28ª edição do Sonora Brasil, projeto realizado pelo Sesc desde 1998 e que está entre as iniciativas mais antigas da instituição na área cultural. Em 2026, sob o tema Reverberações Afro e Indígenas, o projeto leva 29 artistas por 42 cidades de 15 estados, somando 130 shows e 30 ações formativas entre oficinas e intercâmbios. Em Alagoas, a circulação começou em agosto, também no Sesc Arapiraca, com a apresentação do grupo paraense Suraras do Tapajós, e reúne ainda o coletivo baiano Cabokaji ao lado de Gean Ramos Pankararu e Nderé Oblé.
Nderé Oblé nasceu no Rio Grande do Sul a partir do encontro entre os artistas Dessa Ferreira, Dona Conceição, Loua Pacon Oulaï e Oderiê Chayúa, este último indígena da etnia Cha-Yúa, da nação Charrúa. O próprio nome do coletivo vem da língua Chaná e significa algo como “o bom caminho” ou “bem-viver”, ideia que atravessa o espetáculo Ancestral-Futuro. Em cena, canções autorais se misturam a poesia, oralidade e sonoridades contemporâneas, numa criação que trata do apagamento histórico de identidades negras e indígenas sem abrir mão de imaginar, a partir dele, outros futuros possíveis. A apresentação em Arapiraca começa às 14h30, com classificação livre e entrada gratuita.
Gean Ramos Pankararu chega a Maceió com um repertório construído sobre bases parecidas, mas por um caminho próprio. Além de cantor e compositor, ele é produtor cultural e um dos articuladores da Mostra Pankararu de Música, evento que desde a sua criação leva à Terra Indígena Pankararu nomes como Ailton Krenak e Mateus Aleluia, na tentativa de dar visibilidade ao patrimônio imaterial do próprio povo. Na carreira solo, soma seis álbuns, entre eles Inversões, indicado ao Grammy Latino e ao Indigenous Music Awards, e já dividiu produção e palco com nomes como Simone, Maria Gadú, Lenine, Spok e Wagner Tiso.
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Depois de Maceió, o Sonora Brasil segue por outros estados até o fim do ano, levando adiante uma programação que trata a ancestralidade não como resgate de um passado fechado, mas como um repertório vivo, em constante disputa e reinvenção.
Serviço:
Sonora Brasil 2026 — Reverberações Afro e Indígenas
- Nderé Oblé (RS) — espetáculo Ancestral-Futuro
- Quando: 2 de outubro, às 14h30
- Onde: Sesc Arapiraca
- Classificação: livre | Entrada gratuita
Gean Ramos Pankararu (PE)
- Quando: 30 de outubro, às 20h
- Onde: Arte Pajuçara, Maceió
- Classificação: livre | Entrada gratuita