ELEIÇÕES 2026
Omar Aziz é eleito governador do AM com 61,42% dos votos
Político que apoiou reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já havia sido governador do estado entre os anos 2010 e 2014
O senador Omar Aziz (PSD) foi eleito governador do Amazonas. Com 100% das urnas apuradas, Aziz teve 61,42% dos votos válidos nesse domingo (25), no segundo turno, contra 38,58% da Professora Maria do Carmo (PL).
Aziz e Maria do Carmo deixaram para trás o atual governador do estado, Roberto Cidade (União), derrotado no primeiro turno, quando terminou em terceiro lugar.
Na primeira etapa do pleito, Omar Aziz obteve 40,63% dos votos; Professora Maria do Carmo, 24,49%; e Cidade, 21,91%.
A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de prorrogar por duas horas a votação em todo o país — emitida pouco após as 17h — causou confusão entre mesários e presidentes de seção.
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Em alguns locais, as urnas já haviam sido encerradas e contabilizadas, com a impressão dos boletins de urna. A extensão do horário é inédita no país.
Nas redes sociais do vencedor, um vídeo pré-produzido celebrou a vitória. "O rio é Amazonas. O mar é de gente. O governador é Omar", diz a postagem.
Omar Aziz, 68, já governou o Amazonas de 2010 a 2014. Antes, foi vereador de Manaus, vice-prefeito, deputado estadual e vice-governador (de 2003 a 2010). Foi eleito senador em 2014 e reeleito em 2022.
Filho de pai palestino e mãe brasileira, nasceu no interior de São Paulo e mudou-se ainda criança para Manaus. Participou do movimento estudantil e esteve filiado ao PCdoB entre as décadas de 1970 e 1980. Transferiu-se depois para o PFL (antiga Arena) e passou por outros cinco partidos. Está desde 2011 no PSD.
Votou a favor do impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016, e, cinco anos depois, tornou-se figura de oposição ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), devido à sua atuação na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, a qual presidiu.
A comissão pediu a responsabilização de Bolsonaro e de outras 79 pessoas após investigar ações e omissões do governo federal da época no enfrentamento da pandemia.
RELATOR
O senador foi escolhido relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6x1, que classificou como a "emenda à Constituição mais importante da história dos trabalhadores brasileiros".
Aziz apoiou a reeleição de Lula (PT), embora tenha disfarçado, em campanhas nas redes sociais, a presença do partido na coligação. Lula obteve 48,23% dos votos no primeiro turno no Amazonas, ante 45% de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Já Maria do Carmo, 66, baseou a campanha no apoio bolsonarista. "Maria é Bolsonaro, Bolsonaro é Maria", dizia um dos bordões da candidatura.
Nascida em Manaus, é contadora e empresária do ramo da educação. Fundou com o marido, Wellington Lins de Albuquerque, a instituição privada Fametro (Faculdade Metropolitana de Manaus), com presença nas regiões Norte e Centro-Oeste. Maria do Carmo é a atual reitora da instituição.
Projetou-se na política após a ascensão do bolsonarismo, na última década. Foi suplente na chapa derrotada ao Senado por Arthur Virgílio Neto, em 2022; também perdeu quando concorreu a vice-prefeita, pelo Novo, na chapa de Alberto Neto (PL) à Prefeitura de Manaus — pleito em que David Almeida (Avante) foi eleito.
Maria do Carmo participou, na última segunda-feira (19), de um evento ao lado de Flávio Bolsonaro. O "bloquinho do 22", movimento encabeçado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) para demonstrar apoio ao candidato à Presidência, esteve em Manaus com a candidata no trio elétrico.
Na reta final, a postulante ao governo amazonense recebeu um vídeo de apoio de políticos do PL e de outros quadros representativos da direita, como o pastor Silas Malafaia.
Nas campanhas digitais, os dois candidatos evitaram comentar os incêndios florestais no Amazonas, registrados desde o início de outubro. A fumaça das queimadas encobriu cidades, suspendeu aulas, prejudicou a aviação civil e exigiu o envio de aeronaves federais para o combate ao fogo.