Hábitos culturais
Dinheiro afasta brasileiros da cultura, apesar de alta na frequência a shows e museus
Pesquisa da Fundação Itaú aponta aumento da participação em shows, museus e centros culturais, mas revela diferenças de acesso entre classes sociais e demanda por atividades gratuitas
O dinheiro é o motivo mais citado pelos brasileiros quando perguntados sobre o que os desanima a sair de casa para uma atividade cultural. A questão financeira aparece nas respostas de 35% dos entrevistados pela sétima edição da Pesquisa Hábitos Culturais, divulgada nesta quarta-feira, 14. O levantamento registra crescimento da participação em shows, museus e centros culturais. As taxas variam com a classe econômica e a escolaridade.
Realizada pelo Observatório Fundação Itaú, com apoio técnico do Datafolha, a pesquisa ouviu 2.448 pessoas de 16 a 65 anos, em 137 municípios, entre 7 e 20 de julho. A margem de erro para o conjunto da amostra é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Depois das questões financeiras, a insegurança e a violência são os fatores que mais desestimulam a participação presencial, mencionados por 30%. Disponibilidade de horário (23%) e cansaço (21%) vêm em seguida, e a distância dos eventos aparece em 19%.
O acesso gratuito é a medida mais citada quando os entrevistados escolhem as prioridades culturais para os próximos governantes. Criar ou ampliar programas gratuitos de cinema, teatro, música e museus aparece entre as duas primeiras escolhas de 42%. A criação de equipamentos públicos é mencionada por 32%, seguida da melhoria dos existentes, com 28%, e do incentivo à produção independente, com 26%.
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A gratuidade já faz parte da experiência cultural de 69% dos entrevistados, que mencionaram alguma atividade realizada sem pagamento.
Um terço afirma não haver equipamentos culturais perto de onde mora, e outros 25% dizem que esses equipamentos existem, mas são de difícil acesso. A pergunta considera a percepção dos moradores sobre locais como teatros, bibliotecas e centros culturais.
Eventos ao ar livre em espaços públicos continuam sendo a atividade presencial mais disseminada, com participação de 63%. Os shows de música vêm a seguir: 51% foram a um nos últimos 12 meses, contra 45% na edição de 2025. As visitas a centros culturais subiram de 26% para 32%, e as a museus, de 16% para 21%. O teatro passou de 22% para 25%, variação que o relatório não destaca como estatisticamente significativa.
Festas folclóricas, populares e típicas foram frequentadas por 45%, e atividades em Pontos de Cultura ou espaços comunitários, por 38%.
No cinema, 63% dos entrevistados das classes A/B disseram ter ido a uma sessão no período, contra 18% nas D/E. A diferença de 45 pontos percentuais é a maior entre as atividades presenciais.
No teatro, a distância é de 24 pontos (41% e 17%). Nos museus, de 21 (35% e 14%). Mesmo nos eventos ao ar livre, os mais frequentados, chega a 22 (74% e 52%).
“Mais pessoas estão indo a shows, museus, exposições, teatros e centros culturais”, afirma Jader Rosa, superintendente do Itaú Cultural, no material de divulgação da pesquisa. “O desafio é fazer com que esse avanço alcance cada vez mais pessoas e territórios”.
Entre os entrevistados que realizaram atividades presenciais e souberam informar quanto gastam, 61% declaram alguma despesa mensal. Nas classes D/E, 57% não gastaram nada no mês, contra 19% nas A/B. Considerando apenas quem gasta, 46% ficam na faixa de até R$ 100. O cálculo inclui ingressos e compras como livros e discos, mas deixa de fora transporte e alimentação.
Em casa, a música on-line alcança 85% dos entrevistados, seguida dos filmes em plataformas de streaming, com 76%, e das séries, com 73%. Livros impressos e podcasts registram 54% cada. O streaming de filmes chegou a 89% das classes A/B e a 62% das D/E.
Perguntados se participariam de mais atividades artísticas ou culturais caso elas acontecessem com maior frequência nas escolas do bairro, 72% responderam que sim.
A pesquisa completa pode ser acessada pelo site da Fundação Itaú.