Cidades
Lixo hospitalar agrava polui��o do ar em Macei�
ROBERTO VILANOVA O lixão de Maceió ocupa uma área de 24 hectares e recebe por dia o despejo de 1.100 toneladas de dejetos domiciliares e hospitalares ? esses agravando a poluição e aumentando os riscos de doenças infecto-contagiosas. O professor Marcos Moura, da Universidade Federal de Alagoas e pesquisador da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas ? Fapel ? citou, no seu trabalho sobre a poluição causada pela emissão de gases tóxicos do lixão, as principais doenças: febre tifóide, salmoneloses, malária, febre amarela, cólera, giardiase, leptospirose e diarréia. E não é por coincidência que o número de doenças do aparelho respiratório já é um dos líderes na estatística da Secretaria de Saúde. ?Sem dúvida que o aumento das doenças do aparelho respiratório está ligado à poluição do ar que respiramos. Esse aumento não é por acaso?, destacou o professor, mostrando que, do ponto de vista sanitário, o lixo é o grande responsável pela transmissão de doenças. ?Por esta razão, o lixo deve ser bem acondicionado e receber tratamento adequado. Se ficar exposto, os vetores neles se proliferam espalhando risco de contaminação?, completou. Gases letais O professor da Ufal explicou que, no caso específico de Maceió, tem-se o odor de podre no período chuvoso, devido à formação de gases sulfídrico na decomposição anaeróbica e a fumaça no período seco, resultado da combustão espontânea. ?No verão não precisa ninguém tocar fogo, a combustão é espontânea, provocada, principalmente, pelo material plástico. No inverno a poluição atinge o lençol freático ou vai para o mar, mas esse é outro assunto; não é a minha especialidade, eu sou meteorologista?, alertou. Através de tabela, Moura descreveu as características dos gases provenientes do lixo, alertando sobre o poder letal de alguns deles. Por exemplo: o gás sulfídrico, com odor de ovo podre, é ofensivo, causando paralisia do olfato e morte rápido; o dióxido de carbono não tem cheiro, mas provoca sonolência, dor de cabeça e aumenta a necessidade de respiração, podendo também levar à morte; amônia, com odor pungente e penetrante, causa irritação dos olhos, nariz e garganta, podendo causar espasmos respiratórios; o metano não tem odor mas pode levar à morte por asfixia. O professor sugere a instalação de uma Estação de Micrometereologia Automática ? EMA ? para, através do monitoramento da área, prevenir a população.