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Popula��o de Macei� respira gases do lix�o
ROBERTO VILANOVA Metade da população de Maceió respira ar poluído pela combustão espontânea no lixão, durante o verão, e pela formação de gás sulfídrico na decomposição anaeróbica (no subsolo) durante o inverno. De acordo com o trabalho realizado pelo professor Marcos Antônio Lima Moura, do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal de Alagoas ? Ufal - o lixão é responsável pela emissão dos gases sulfídrico, dióxido de carbono, amônia e metano, todos letais e responsáveis pelo aumento de doenças do aparelho respiratório na Capital. Autor do trabalho intitulado de Modelagem da Dispersão dos Gases Odoríferos Liberados pelo Lixão de Maceió, realizado com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas ? Fapeal ? o professor Marcos Moura alertou que a irradiação dos gases atinge uma área de seis quilômetros de raio, o que significa dizer que a parte baixa da cidade (Mangabeiras, Cruz das Almas, Jacarecica, Ponta Verde, Ponta da Terra, Jatiúca e Pajuçara) e a parte alta (Serraria, Jacintinho, Feitosa, Barro Duro, Gruta e Farol) sofrem a influência direta da irradiação. Composição O professor Moura sugeriu a transferência do lixão para longe do perímetro urbano, advertindo que mantê-lo na área atual é colocar em risco a saúde da população. ?Tem ainda o problema da poluição do lençol freático, mas esta não é a minha especialidade ? não trabalho com o subsolo; eu sou meteorologista?, observou, explicando que o objetivo do seu trabalho é auxiliar os governantes na tomada de decisões para resolver os problemas decorrentes da deposição final de lixo urbano. A composição do lixo, segundo análise apresentada pelo professor, é na base de 65% de matéria orgânica, 25% de papel, 4% de metal, 3% de vidro e 3% de plástico. Ele alertou que a produção de lixo aumenta em taxa superior ao crescimento da população ? essa é a tendência mundial. Ele cita os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ? IBGE ? referentes ao Censo de 1992, que registrou o crescimento populacional em torno de 18% entre as décadas de 1970 e 1990, enquanto a produção de lixo aumentou 25% no mesmo período. Impacto O professor Moura destacou que apenas uma parte do lixo é biodegradável (dissolve-se na água) e é eliminada naturalmente, mas, devido à crescente emissão de gases, a eliminação por processos naturais não consegue dar vazão de toda a quantidade emitida, gerando um excedente que muitas vezes ultrapassa o nível de concentração considerado saudável. ?Esta concentração de poluentes é provocada principalmente pelos fatores intervenientes no processo de dispersão dos poluentes, os quais, pode-se destacar, a presença de edificações, que ao alterarem a topografia original modificam a velocidade, direção ou intensidade do vento?, completou. O impacto causado no ambiente pela produção desenfreada de lixo ? acrescentou Moura ? tem levado o governo e a sociedade a promover estudos e buscar alternativas para minimizar a degradação da natureza e aumentar o bem-estar da sociedade como um todo. ?Para amenizar ou até mesmo para combater os efeitos da poluição atmosférica é imprescindível conhecer todas as etapas do processo e estudar todos os fatores relacionados a essas etapas. É preciso ampliar os conhecimentos sobre a dispersão dos gases odoríferos liberados pelo lixão da cidade de Maceió, através de simulação computacional?, concluiu. O professor também sugere a simulação de situações sobre a dispersão dos poluentes para tentar entender a dinâmica da região e, num futuro próximo, comprovar a extensão da intensidade dos poluentes liberados pelo lixão. ?Pelo que calculamos, hoje, a área sob a influência dos gases tóxicos ocupa o raio de seis quilômetros. Eu resido ali em frente ao Supermercado Via Box e posso assegurar que, até lá, a influência desses gases é intensa, aquele cheiro característico de ovo podre nada mais é que os gases emanados do lixão?, concluiu, sugerindo a transferência imediata do depósito de lixo de Maceió para fora da área urbana.