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Desabrigados t�m traumas psicol�gicos

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A tragédia que destruiu Branquinha e outras cidades dos vales do Mundaú e do Paraíba aconteceu há pouco mais de um mês, mas para a dona de casa Auristela de Santana Santos, 34 anos, a pior agonia por que já passou na vida parece que aconteceu ontem. Ela não tira da cabeça os momentos de sufoco, quando teve a casa invadida pelas águas e quase era levada pela fúria do Rio Mundaú. Perdeu tudo que tinha dentro da residência. Só teve tempo de salvar a filha. Desde então não consegue pregar os olhos à noite. O episódio não lhe sai da cabeça. Ficou deprimida, perdeu o apetite e o ânimo de recomeçar. Antes vaidosa, ela só voltou a pentear os cabelos há alguns dias. A tragédia que se abateu sobre a população ribeirinha, atingida pelas enxurradas do mês de junho, deixou marcas profundas, que vão além das perdas materiais. Vítimas tomam remédio controlado Entre as vítimas das enchentes de Branquinha que sofreram traumas, o caso de Malba Cristina Cândido é um dos que parecem necessitar de maiores cuidados. Ela não se conforma com a morte da filha, a pequena Ana Célia, de 3 anos. Viu a criança ser arrancada da mão de um homem que tentava passar com ela pela correnteza. Não lhe sai da cabeça a imagem da filha sendo arrastada para a morte. Na hora, Malba entrou em estado de choque. Desmaiou e foi socorrida. Mais tarde, quando acordou, estava com ?ares de louca?. Queria correr e se jogar na correnteza para buscar a filha. Os amigos tiveram dificuldade para contê-la. Chegou a tentar o suicídio. Recebeu atendimento médico. Situação dos abrigos agrava problema Segundo o psicólogo Gúpi Munhóz, da equipe dos Médicos Sem Fronteiras, a situação dos abrigos para onde foram levadas as vítimas das enchentes potencializou alguns sintomas desenvolvidos pelas pessoas que vivenciaram situações traumáticas. ?Nós encontramos pessoas nos abrigos em condições muito abaixo da dignidade humana. Isso acaba potencializando alguns sintomas que eles desenvolveram, como insônia, incerteza, irritabilidade, cansaço e dores no corpo?, diz Munhóz. O psicólogo afirma que o tratamento inicial, nesse tipo de caso, é deixar que as vítimas falem da situação que viveram. ?Ouvimos os relatos e se identificamos alguém que precise de cuidados especiais, nós oferecemos tratamento psicoterapêutico?, explica Gúpi Munhóz.

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