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Recupera��o n�o chega a Santana do Munda�
Santana do Mundaú ? Quase dois meses depois de ser praticamente destruída pelas enchentes do mês de junho, a cidade de Santana do Mundaú, distante 100 quilômetros de Maceió, enfrenta uma série de problemas, que impedem o processo de recuperação do município. Enquanto os municípios do Vale do Mundaú atingidos pelas enchentes já definiram as áreas para a construção de casas e instalação dos acampamentos provisórios, Santana do Mundaú ainda aguarda a desapropriação de 100 hectares da Fazenda Juçara, onde serão erguidas as unidades habitacionais, além das barracas para as famílias desabrigadas. Sem alternativas e precisando retomar os negócios para amenizar os prejuízos, comerciantes estão reconstruindo lojas e supermercados às margens do rio. Moradores também fazem o mesmo percurso de volta às áreas de risco. Na cidade, a população enfrenta o perigo de epidemias. Enquanto a catapora ataca em Murici, em Santana do Mundaú é a coqueluche que deixa em alerta os médicos. Na semana passada, técnicos do Ministério de Saúde estiveram no município para investigar o surgimento de vários casos da doença. Três estão confirmados e cerca de dez estão sob investigação. Sem estradas, produtores têm prejuízos Santana do Mundaú ? Foi o próprio prefeito da cidade, Eloi da Silva, quem levou a reportagem da Gazeta ao local por onde antes passava a estrada de acesso aos povoados Chapéu de Pena e Caruru, às margens do Mundaú. ?Parece que aqui aconteceu uma grande explosão. Veja só o tamanho do buraco que abriu?, aponta o prefeito, à beira da ribanceira, às margens do rio. A paisagem impressiona. A força do rio no dia da enchente arrancou árvores e revolveu pedras imensas. A enxurrada varreu o leito do rio e mudou completamente o visual do lugar. ?Isso aqui não existia, não era desse jeito?, diz o prefeito Eloi da Silva. O leito rochoso do Rio Mundaú nunca esteve tão exposto naquela parte do rio, na Região Serrana dos Quilombos. É uma imagem que confirma a dimensão da catástrofe do mês junho. Moradores reconstroem à margem do rio Foram mais de 100 lojas destruídas. A enxurrada literalmente quebrou o comércio de Santana do Mundaú. O prejuízo foi grande, mas não há tempo para lamentações. É preciso reativar o negócio o mais rapidamente possível para voltar a fazer dinheiro. É assim que pensa a maioria dos comerciantes de Santana do Mundaú. Talvez por isso ignorem o perigo e as recomendações do Ministério Público Estadual (MPE), ao retornar às margens do rio para reerguer os negócios. Dias após a enchente, o MPE publicou documento determinando, entre outras coisas, toque de recolher nas cidades e proibindo qualquer edificação às margens dos rios Mundaú e Paraíba, considerada área de risco. Mas em Santana do Mundaú parece que ninguém tomou conhecimento do documento. Barracas ainda não foram montadas A tragédia provocada pelas enchentes do mês de junho vai completar dois meses, mas as barracas que vão abrigar temporariamente os desabrigados ainda não foram montadas. O município aguarda o processo de desapropriação de 100 hectares da Fazenda Juçara, na parte alta do município, local apontado pelos técnicos como área adequada para a instalação das barracas e construção de 1.271 unidades habitacionais. O processo também atrasou por causa da dificuldade em localizar o terreno certo em meio ao relevo acidentado da região. O presidente do Instituto do Meio Ambiente (IMA), Adriano Augusto, disse que a coordenação do Programa de Reconstrução de Alagoas aguardava apenas os trâmites burocráticos para que a área fosse liberada.