Cidades
Desabrigados bloqueiam rodovia federal
Murici ? Com o dilúvio, vieram as trevas. Após perder tudo que tinham, famílias largadas em abrigos de Murici se revoltam contra o abandono, o descaso do poder público e as denúncias de desvios de donativos. Ontem, cerca de 300 desabrigados bloquearam o quilômetro 58 da rodovia BR-104, próximo à entrada da cidade, em protesto contra a indefinição de prazos para o início da construção das casas ou mesmo para a conclusão da montagem do acampamento provisório com as barracas. A manifestação, iniciada às 8h10, demorou mais de duas horas e provocou uma fila de mais de cinco quilômetros de carretas, caminhões, ônibus e carros. Dois meses e meio após a cheia, desabrigados viraram sem-teto e não querem ser esquecidos. ?As barracas estão demorando demais, tem dois meses que montaram e não sabem quando a gente vai para lá. Ninguém aguenta mais ficar no galpão, é muito sujo, tem confusão, já houve até morte, tem médico e não tem remédio?, reclama Luciana Maria da Silva. Barracas desocupadas são danificadas Murici ? Falta água, comida, remédios e material de limpeza nos abrigos de Murici. A denúncia de dezenas de manifestantes é facilmente comprovada em uma vistoria rápida nos galpões à beira da estrada. Ontem pela manhã, as quatro caixas d?água para beber fornecidas ao abrigo da rodoviária estavam vazias. Uma delas ainda tinha o nível de dois dedos de altura, mas a sujeira era visível. ?Fica muito difícil cozinhar, lavar roupa e ajeitar os meninos, tem dia que eles vão para escola sem tomar banho. Falta água até para beber?, afirma Alexsandra dos Santos. Diante do problema, muitas mães ignoram os perigos e matam a sede das crianças de qualquer jeito.