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A hora e a vez do eleitor alagoano

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Apesar da baixa frequência, o eleitor costuma assistir à propaganda eleitoral, principalmente na TV. Mas é mesmo no dia da votação que a maioria decide em quem vai votar. Todos condenam a compra de votos e acreditam que o eleitor que recebe dinheiro ou qualquer outro ganho não tem direito de cobrar ou reivindicar o que quer que seja do candidato eleito. Estas são conclusões baseadas em entrevistas empíricas feitas pela Gazeta pelas ruas de diversos bairros de Maceió. Várias das pessoas abordadas, aleatoriamente, recusaram-se a opinar sobre o que pensam do voto, da eleição e dos candidatos. Mas um bom número de entrevistados, mesmo com certa resistência, soltou o verbo manifestando claramente tudo o que pensam. O eleitor maceioense já vê como praxe as promessas de ?saúde, educação e moradia?, temas comuns nos discursos dos candidatos, sejam eles majoritários ou proporcionais. População observa candidatos ?Observo se o candidato tá lendo, se decorou o texto ou se fala com naturalidade, se tem conhecimento sobre aquilo que promete?, diz a estudante Jaqueline Pereira Vital, 16. Apesar de já ter a idade exigida, ela ainda não se tornou eleitora, mas se mostra interessada no processo eleitoral deste ano. A adolescente avalia que todo cidadão deve acompanhar os fatos políticos, para escolher ?aqueles que realmente podem fazer alguma coisa pelo povo?. Enquanto os estudantes dizem com facilidade o que pensam sobre o papel do eleitor, pessoas que vivem em condições inegáveis de indigência dão sinais de muita dificuldade para emitir opiniões. É assim com as aposentadas Quitéria do Nascimento Santos, 54, e Vera Lúcia dos Santos Ferreira, 55, que moram na favela Sururu de Capote, no Dique Estrada. No universo de miserabilidade a que estão submetidas, elas pensam de modo semelhante sobre o processo eletivo. Votar é exercício de cidadania Leitor constante de jornais, mesmo de edições com mais de dois meses de publicada, o taxista Clóvis Teles de Menezes é simpatizante do Partido Comunista Brasileiro, mas admite que os candidatos dessa legenda têm poucas chances de serem eleitos. Por isso lamenta que os partidos tenham pouca influência na escolha do eleitor. O servidor público Luiz Vergetti, 52, vê o ato de votar como um importante compromisso de cidadania. Porém, ressalta que nem todos têm consciência disso. O resultado é que um bom número de eleitores troca o voto por dinheiro ou alguma outra vantagem. Essa mesma avaliação faz o gari José Reinaldo da Silva, 39. Entretanto, avalia que nem sempre o eleitor que recebe dinheiro vota no candidato que pagou. ?Acredito que um dia o voto nulo vai vencer. Aí os políticos vão ver que o povo está insatisfeito e por isso vende o voto?, declara o gari. A causa dessa insatisfação está nas promessas não cumpridas, a mesma razão que lhe faz ?votar nos mais fracos ou anular o voto?. Trabalho é prioridade no Agreste Arapiraca ? Para os eleitores entrevistados em Arapiraca e Craíbas, a geração de empregos e melhoria nas condições de trabalho no campo devem ser as prioridades para os candidatos que serão eleitos daqui a duas semanas. O quesito trabalho desbancou os itens saúde, educação e segurança pública até mesmo entre as pessoas que residem em áreas com alto índice de violência. Para os moradores da cidade, os principais motivos que leva a escolher um candidato estão as propostas apresentadas e a força da propaganda nas ruas. Já para quem vive na zona rural, que só conhece a maioria dos candidatos através do guia eleitoral na televisão, a influência da família ainda tem grande peso na hora de decidir em quem votar. Família influencia na escolha | PATRÍCIA BASTOS - Repórter A dona de casa Josefa Ferreira da Silva, 27, moradora do sítio Esporão, em Craíbas, admite que a escolha do candidato passa pela conversa com familiares e amigos. ?A gente precisa ouvir quem entende mais de política, não é? Não é ir pela cabeça dos outros, mas procurar saber quem são os candidatos. Na minha família, todo mundo vai votar no mesmo candidato para presidente e para governador?, afirmou. Ela fala que os guias eleitorais e as propagandas no rádio e na televisão influenciam muito pouco no seu voto. ?Tudo que a gente vê, não passa de falação. Os candidatos não vão dizer quem são de verdade?, ressaltou. Para Josefa Ferreira, são tantos os problemas existentes que ela não consegue definir só um deles que deveria ser tratado como prioridade. ?Pelo menos aqui onde eu moro, a gente precisa de melhoria na educação, saúde e segurança?, enumerou.

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