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Educadores enfrentam falta de interesse

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A rede particular, tomando como exemplo a escola administrada pelo engenheiro Ernesto Statler, que, com especialização em Matemática, também é professor, mantém o plantão pedagógico, um espaço de orientação para os alunos em dificuldades. Escola de classe média alta, essa unidade tem metodologia de ensino voltada para o vestibular, especialmente das universidades públicas. Os disputados cursos da Universidade Federal de Alagoas são a grande meta dos alunos do professor Statler. A grande questão, entretanto, é saber o que leva estudantes das redes particular e pública, guardadas as diferenças sociais e econômicas, a estarem nessa situação, ou seja, enfrentando o que se pode chamar ?zona de risco?. Para uns as notas baixas são consequência da falta de disciplina, do distanciamento dos pais e do desinteresse do estudante pelo conhecimento formal. É expressivo o número de alunos que dizem com todas as letras não gostar de estudar. Pais se eximem de responsabilidade Sem meias palavras, a pedagoga Suely Barrozo, que dedica sua capacidade profissional aos alunos de escolas públicas, diz que falta, no ambiente familiar, a formação dos valores de convivência humana e de respeito. ?Sem generalizar, podemos dizer que muitos pais agem como se fosse da escola a responsabilidade pela formação dos valores morais de seus filhos?, afirma. Semelhante avaliação faz o diretor de escola particular, Ernesto Statle, para quem ?é preciso resgatar o vinculo entre a família e a escola?. Do contrário, os pais continuarão pensando que a escola vai resolver todos os problemas que seus filhos apresentarem. ?Não podemos moldar, transformar aquilo que trazem de casa. Muitos desses alunos se julgam mais importante que o professor?, declara ele. Ao defender o permanente acompanhamento dos pais, Statler ressalta que a ?luzinha deve acender bem no início do ano letivo, antes da recuperação?. Acompanhamento é fundamental para a aprendizagem A palavra-chave é acompanhamento, ou seja, alunos, pais e professores têm que ter disciplina. Essa é a avaliação da pedagoga Elza Maria da Silva, coordenadora dos cursos de graduação da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). A primeira observação dela vem ao encontro da queixa das escolas. ?O processo educativo não é unilateral. A escola precisa dos pais?, afirma. Entretanto, a pedagoga diz que ao mesmo tempo em que reclama da ausência deles, a escola não atrai a família, tornando-a parte desse processo. Com 35 anos de atividades no Magistério, ou seja, no exercício do cargo de professora, ela apresenta uma indagação bem clara. ?Os pais são chamados a conhecer a concepção teórico-metodológica da escola de seus filhos??, é a pergunta de Elza Maria.

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