Cidades
Sepultamento de aspirante � feito sob forte emo��o
O enterro do aspirante do Exército Lenysson Rodrigues dos Santos Silva, 19, teve um ar constrangedor. Em alguns momentos, parecia que parentes do rapaz morto por afogamento num treinamento na mata e integrantes do quartel choravam em fronts diferentes. O toque de corneta e as canções evangélicas da igreja da família se revezavam, fúnebres e destoantes. O Exército pagou as despesas do enterro do aluno do Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva (NPOR) e fez de tudo para manter as boas aparências. Enviou o assessor de Relações Públicas, o próprio comandante em Alagoas, coronel Pinto Sampaio, e outros oficiais para o Cemitério Parque das Flores. Todos os 17 colegas de curso que testemunharam o afogamento foram orientados a não dar qualquer declaração. E, como bons soldados, cumpriram as ordens. Coronel nega intimidação à família Apesar de negar qualquer intimidação à família, o comandante Pinto Sampaio insistia em tentar convencer os parentes a falar o que ele queria. ?Nossas canções são motivadoras, nossas atividades são muito distintas, você não vai encontrar uma caveira numa viatura nossa?, disse o militar aos parentes, numa referência a outros treinamentos militares. O coronel também criticou a imprensa por comparar a morte do aspirante com as mortes de bombeiros e militares em treinamentos que, para ele, não são semelhantes. Diante do coronel, o tio manteve a firmeza. ?Só não aceito porque não teve a prevenção, antes de ter acontecido o afogamento. Como é que se tem uma equipe de 18 homens, que na verdade são uns garotos, comandados por um rapaz de 26 anos, que também se torna um menino numa hora dessas??, indaga José Alves.