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M�dicos querem piso salarial nacional

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Os médicos têm nesta segunda-feira, 18, um dia inteiro dedicado a seu trabalho. Entretanto, no Dia do Médico a categoria reclama dos baixos salários e condições precárias de trabalho na rede pública, e anuncia uma ampla mobilização para estabelecer no País uma carreira semelhante a que têm os integrantes do Poder Judiciário. A discussão sobre a definição de um piso salarial e uma carreira de Estado para o médico já está em andamento, tanto no Ministério da Saúde quanto no Congresso Nacional. A Câmara Federal analisa a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 454/09, que cria a carreira de médico nos serviços públicos federal, estadual e municipal. Nessa PEC a remuneração inicial da categoria seria de R$ 15.187,00, semelhante a de juízes e promotores. O argumento é que a proposta beneficia a sociedade. Admitida pela Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania, da CF, a PEC 454/09 será agora analisada por uma comissão especial e votada, em dois turnos, pelo plenário. No MS uma comissão criada pelo ministro José Gomes Temporão analisa os prós e contras, sob o ponto de vista do governo, de fixar em R$ 8.500 o salário inicial do médico, estabelecendo para eles uma carreira no serviço público. Dessa comissão participa o médico alagoano Alceu Pimentel. Alagoas sofre com êxodo para Estados vizinhos Batalhador incansável das lutas da categoria, o presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed/AL), Wellington Galvão, defende a proposta do piso de R$ 8.500 com carga de 20 horas semanais. Tal realidade garantirá, ressalta, um trabalho mais eficiente e de maior dedicação ao paciente. Ele reage às afirmações de que falta médico em Alagoas. Há oito anos os registros do Cremal não passam de 3.600 médicos, situação questionável pois as duas escolas de medicina do Estado formam cerca de 100 profissionais todos os anos. ?Não falta médico em Alagoas. A carência está no serviço público, pois ninguém quer trabalhar com os salários pagos aqui?, reclama o dirigente do Sinmed/AL, revelando que os profissionais alagoanos estão exercendo suas atividades nos estados vizinhos, como Sergipe e Pernambuco, onde tanto o SUS quanto o Programa de Saúde da Família (PSF) oferecem melhor remuneração. Avanço na rede pública é reivindicado Na atual condição de baixa remuneração e deficientes condições físicas de trabalho, nem mesmo a criação de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) resolverão as deficiências na rede básica. A avaliação é do presidente do Conselho Regional de Medicina de Alagoas (Cremal), Emmanuel Fortes. As Upas são estruturas de complexidade intermediária entre as Unidades Básicas de Saúde e as urgências hospitalares. Atuando em conjunto por 24 horas, elas estão diretamente vinculadas ao Serviço Móvel de Urgência (Samu). Sua função é atender e encaminhar o paciente, quando necessário, ao serviço de saúde adequado à situação. O governo do Estado promete inaugurar várias dessas unidades até o final deste ano. ?As Upas nada resolvem se não tivermos ambulatórios e uma rede de atenção básica eficiente e adequadamente equipada. Da forma como está a rede pública, essas unidades rapidamente estarão superlotadas, como ocorre no Hospital Geral do Estado?, declara Fortes. Data será comemorada com mobilização Recém-chegada ao serviço público estadual, a cardiologista Ecliene Oliveira, 42, se diz pronta a participar da mobilização em defesa da carreira do médico. Sob o argumento de que para melhorar sua renda o profissional se submete a uma carga de trabalho estressante, ela entende que é preciso mudar essa realidade. Assim, a despeito das dificuldades que enfrenta, a classe médica chega a esta segunda-feira, 18, com espírito de comemoração. ?Nossa profissão é gratificante, uma doação à vida?, disse Ecliene Oliveira, saudando o Dia do Médico. Seu colega Edson Maia Nobre concorda que há, sim, motivo de comemoração. ?Devemos comemorar pela dignidade de nossa profissão, que é sublime, embora se considerarmos a remuneração deixa muito a desejar?, insiste ele, fazendo coro com a manifestação do presidente do Sinmed/AL, Wellington Galvão.

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