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Cemit�rios p�blicos s�o informatizados
O mês de outubro mal chegou ao fim e os cemitérios de Maceió já se encontram prontos para receber milhares de pessoas que cumprem o ritual contumaz de celebração aos mortos, em mais um feriado de Finados, que acontece na próxima terça-feira. No entanto, este ano há uma novidade: todos os cemitérios públicos passaram, além das reformas habituais, por uma informatização, que facilitará o cadastramento e localização de dados dos usuários, assim como um maior controle sobre os inadimplentes. Segundo o diretor do Departamento de Administração de Cemitérios (DAC) Victor Franklin, órgão ligado à Superintendência Municipal de Controle do Convívio Urbano (SMCCU), os irregulares ainda são o grande empecilho para o desenvolvimento dos trabalhos. ?Fica difícil dar prosseguimento a uma organização com o alto índice de inadimplência que ainda enfrentamos. As pessoas responsáveis por túmulos nos cemitérios públicos precisam vir até a SMCCU para atualizar seus dados e nos dar alguma satisfação. Se tendo 30% de inadimplentes conseguimos informatizar os cemitérios municipais com computadores de 2 gigabytes, imagina se todos estivessem em dia?, disse Franklin. Comerciantes aproveitam para faturar renda extra Os comerciantes que todo ano marcam presença na porta dos cemitérios também estão sendo regularizados e, desde cedo, procuraram o Departamento de Administração de Cemitérios (DAC) para assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que os permitirá usar a área de calçada colada ao muro dos cemitérios, deixando espaço para os passantes, e a Praça da Faculdade, que há anos serve de ponto de venda na data. Porém, além dos vendedores, há um grupo ainda incontável e anônimo que aproveita o momento para conseguir um dinheiro extra, que são os limpadores de túmulos. Há uma semana eles iniciaram a saga anual nos cemitérios da cidade, capinando, pintando e lavando sepulturas. É o caso de Fidélis de Souza, que sempre complementa a renda trabalhando nos cemitérios. Sepulturas retratam evolução histórica O maior cemitério particular da cidade, o Campo Santo Parque das Flores, como de costume, promove uma série de eventos para os visitantes. Porém, esse ano as atividades estão menos artísticas e mais religiosas, sendo duas missas e um culto evangélico, ambos com a participação de bandas, e também uma palestra espírita. A programação iniciou nesse sábado e vai acontecer até o feriado. As centenas de pessoas que visitam os entes queridos sepultados nos cemitérios de Maceió provavelmente nem imaginam a quantidade de história que existe sobre cada um desses lugares. Alguns foram construídos na segunda metade do século 19 e guardam, em cada detalhe das lápides mais antigas e em sua arquitetura, tempos áureos e também difíceis da história da cidade. Conseguem realizar um contraponto entre o passado e o contemporâneo, sendo mais do que apenas lugares de lágrimas e lembranças. OS CEMITÉRIOS, SUAS HISTÓRIAS E LENDAS Cemitério Nossa Senhora da Piedade A primeira pedra que lhe deu origem foi assentada no dia 27 de outubro de 1850 e consagrada à Virgem da Piedade. O local era um areal à margem da estrada que conduzia ao Trapiche e ao Pontal da Barra. Então deserto, era coberto de cajueiros bravos, pitangueiras e outras árvores. Ficava entre o canal grande, o mar e o Centro da cidade. Porém, só foi inaugurado em 18 de novembro de 1855, com 477 túmulos. Devido à sua proximidade com o bairro que surgiu e cresceu depois ao seu redor, ao terreno arenoso e à possível existência de lençóis de água a quatro ou cinco palmos de profundidade, cogitou-se inúmeras vezes inutilizá-lo, no entanto, até hoje continua em pleno funcionamento, mesmo 160 anos após sua fundação, e nunca passou por nenhuma expansão. Além do Dia de Finados, muitas pessoas também se aglomeram nas suas imediações antes do carnaval, pois serve de concentração para o bloco ?Mulher da Capa Preta?, alusão a uma antiga e famosa lenda urbana que envolve um dos túmulos do cemitério. Cemitério São José Foi construído em razão do surto de gripe espanhola em 1918, que chegou a Maceió a bordo de um cargueiro Ita, da Cia Nacional de Navegação Costeira. Em Jaraguá, desembarcavam do Sul do País inúmeras pessoas atacadas pela doença, que se espalhou pela cidade e fez centenas de vítimas. O cemitério da Piedade logo ficou superlotado e tornou-se necessário abrir, às pressas, próximo à estrada que ia do Centro ao Trapiche da Barra, uma nova necrópole, que primeiramente ficou conhecida como Cemitério do Caju, em razão da grande quantidade de cajueiros no local, e depois oficialmente como Cemitério São José, em homenagem ao doutor. José Fernandes de Barros Lima, governador do Estado. Só ganhou muros e sua pequena capela em 1921, sendo os trabalhos realizados por um construtor português, senhor Joaquim Teixeira Medalhas. É hoje um dos maiores cemitérios públicos de Maceió e entre seus túmulos mais antigos está o do menino Petrúcio, que faleceu em 24 de abril de 1939 e a quem são atribuídos poderes milagrosos. Centenas de devotos o visitam no Dia de Finados, para fazer e pagar promessas. Cemitério de Santo Antônio Existe desde o ano da proclamação da República, 1889, no bairro de Bebedouro, e foi restaurado somente em 1968, quando já estava sem espaço. Alguns dados antigos dizem que substituiu outro menor, que ficava onde hoje é a Praça Santo Antônio, nos fundos da igreja. Cemitério Nossa Senhora Mãe do Povo (Cemitério de Jaraguá) Devido à sua localidade reflete, assim como o Cemitério da Piedade, o pequeno número de habitantes da cidade à época e as suas distintas distribuições nos bairros. Foi construído em 1858 em razão do longo percurso dos moradores da região para enterrar seus mortos no cemitério do Prado. Após a sua construção, passou um tempo desativado e sofreu inúmeras reformas. Hoje atende grande parte da população não só de Jaraguá, mas também de Ponta da Terra e bairros adjacentes. Campo Santo Parque das Flores Até a inauguração do Memorial Parque Maceió, em maio deste ano, era o cemitério mais recente, tendo apenas 37 anos. Foi fundado em 1973, pelo então prefeito João Sampaio. Moderno para a época, primeiramente foi idealizado com o intuito de sanar a superlotação dos outros cemitérios, mas devido ao preço, considerado inviável para maioria da população, hoje atende principalmente à chamada classe ?A?. Cemitério Divina Pastora Fica no bairro de Rio Novo e juntamente com o Cemitério Nossa Senhora do Ó, em Ipioca, recebe a maioria dos corpos sem identificação, isso em razão da parceria que tem com o Instituto Médico Legal Estácio de Lima. Além dos chamados ?indigentes?, atende também às populações do Clima Bom, Rio Novo, Fernão Velho e das proximidades de Satuba.