Cidades
Lan houses devem virar espa�os de aprendizagem
Um projeto pioneiro pretende transformar, já no próximo ano, as conhecidas lan houses (casas digitais) em espaços de aprendizagem e desenvolvimento de atividades empreendedoras. Localizados em milhares de pontos distintos, os estabelecimentos deixarão de ser vistos apenas como locais para abrir e enviar e-mails, entrar em salas de bate-papo ou ainda interagir com amigos em redes sociais. De acordo com levantamento feito pelo Sebrae, devem existir no País 100 mil casas similares. O número não é preciso porque muitas estão na informalidade. Quando se fala em acessos, o Nordeste domina, sendo responsável por 60% deles. Em contrapartida, a região apresenta o pior índice de inclusão digital. Em Alagoas não é diferente. Mas um grupo de comerciantes pode dar um passo importante para mudar a ?cara? dos espaços. A proposta é que as casas sirvam como pontos de aprendizagem profissional, além de serem capazes de formar empreendedores. Locais têm de passar por adequações Visando atender essa nova demanda, os donos de lans em Alagoas não perderam tempo. Há seis meses, eles decidiram partir para a criação de uma entidade que reunisse os empresários que já atuam no mercado. O lançamento da instituição também ocorrerá no dia 11 de dezembro e, de início, deve envolver 32 filiados. Quem tiver interesse em saber mais detalhes já pode acessar o site da associação pelo endereço www.aalcid.com.br. Desde que partiram para o processo associativo, os proprietários de casas digitais tiveram que fazer várias adequações. A principal delas envolve a oferta de conteúdo. Conforme revelam os envolvidos com a proposta, sexo já foi banido. ?Desde 2007 nós obedecemos a lei que proíbe a presença de menores de 12 anos nas cabines?, lembrou Wellington Pereira. Usuários veem iniciativa como uma oportunidade A agente de saúde Rosileide Pereira, 35 anos, revelou que entrou na lan house para enviar um e-mail a uma amiga, que fez aniversário na última semana. Mesmo tendo computador em casa, ela reconhece que a acessibilidade no estabelecimento é melhor. ?Mantenho conta de Orkut e MSN. Tenho computador em casa, mas, às vezes, quero usar e os meus filhos estão fazendo alguma pesquisa. E aqui não, tudo é mais rápido?, observou a agente. Ela disse ainda que já chegou a ficar 3 horas diante da máquina. Bastante sincera, ela disse que nunca imaginou que os ambientes pudessem se tornar em locais de cursos. ?Mas se for assim como se fala, é uma oportunidade muito boa?, finalizou Rosileide. Empresários incentivam mudanças O empresário Claudeir Menezes da Silva não esconde a satisfação com o ambiente que está criando. Em breve contará com 30 máquinas disponíveis para seus clientes. E eles também começam a mudar. O antigo barulho dos jogadores on-line deu lugar ao silêncio e a um outro perfil de frequentadores. ?O público mudou de perfil. É comum, no período da noite, estarem por aqui estudantes fazendo trabalhos de faculdade?, destacou Claudeir. Certo de que fez a escolha certa, quer colocar a Associação Alagoana de Centros de Inclusão Digital diretamente ligada ao setor. A ideia é ajudar os demais a se enquadrarem no que diz a lei e, principalmente, incentivá-los a aderir ao novo modelo. Conforme sua experiência, essa é uma tendência sem volta. ?Do ponto de vista de mercado, queremos criar espaços que sejam a porta de entrada para outros produtos e serviços?, acredita Claudeir.