Cidades
Projeto oferece oportunidade a jovens
A vida como ela é. Esse era o título de uma famosa coluna do jornalista e escritor Nelson Rodrigues, no jornal carioca Última Hora. Quarenta anos depois de sua morte, o Programa Nacional de Inclusão de Jovens (Projovem), ousa inverter a lógica da frase para ?a vida como ela pode ser?. Durante seis meses de estudos teóricos e práticos, os jovens aprendem ofícios que incluem aulas de barman, auxiliar de cozinha, eletricista, solda, administração (representante de vendas e repositor), cabeleireiro, estética (maquiagem), hotelaria, eletricista e até inclusão digital. Totalmente voltada para moradores de periferia, cuja renda familiar não ultrapasse o salário mínimo, a iniciativa do governo federal vem tirando da vulnerabilidade mil jovens alagoanos, além de devolver sonhos a quem já estava se deixando levar pelo ritmo da dura realidade de pobreza. Estagiários passam a profissionais Dos 12 estagiários que atuam no Santorégano, pelo menos 5 já serão contratados. Afinados com o conceito de responsabilidade social, os proprietários não só abriram o espaço, como colocaram seu pizzaiolo para ser o ?mestre? dos aprendizes e futuros manipuladores da massa. A opção em ajudar e contribuir para mudar a realidade foi tão grande, que Almir foi atrás do projeto, antes mesmo de ser procurado. ?Sabia que poderíamos oferecer formação e oportunidade de trabalho, além da chance de inserção social. Creio que nosso diferencial aqui é que investimos, antes de qualquer coisa, em cidadania?, definiu Almir. Mesmo antes do fim da etapa do projeto, ele já pode comemorar algumas vitórias. É que os alunos da área em que ajudou têm sido elogiados nas aulas de inclusão digital. Aprendizes são exemplo para profissionais antigos Enquanto falavam sobre presente e, principalmente, o futuro, as três jovens eram observadas pelas colegas de trabalho Maria José Martírio dos Santos, 44 anos ? mãe de três filhos ? e Patrícia dos Santos, 29. Com a experiência de quem já garantiu espaço no mercado, elas admiram as jovens e lembram que quando começaram, o caminho foi mais difícil. ?Comecei a trabalhar em restaurante há 20 anos. Iniciei lavando pratos e, dois dias depois, já fui para panela. O dono era quem ensinava tudo. E eu mesmo sem saber ler nem escrever, aprendi os detalhes e fiz direitinho?, explicou Maria. Programa tem despertado interesse de empresários A repercussão do trabalho do Projovem tem empolgado a todos que fazem parte do programa. Não tem sido diferente com Pedro Verdino, do Banco do Cidadão. Em sua avaliação, o projeto do governo federal tem tudo para continuar, principalmente porque as qualificações têm respeitado às necessidades dos alunos e do mercado. ?A prefeitura [de Maceió] acertou ao trazer o programa para cá. Estamos trabalhando com jovens que estavam em situação de risco social e que agora voltaram a estudar e estão aprendendo uma profissão?, destacou Pedro Verdino. Ele lembra que na região do Benedito Bentes, por exemplo, área conhecida por seus índices de violência, a participação da comunidade jovem também tem sido muito boa. Um outro ponto positivo é a baixa evasão escolar proporcionada pelo Projovem. ?Ela só ocorre quando o próprio jovem, por alguma razão, consegue um outro emprego que julga melhor?, observou Pedro Verdino.