Cidades
Falta espa�o de lazer na capital alagoana
O auxiliar de almoxarife Robson da Silva, 22 anos, é assíduo frequentador da Praça Padre Cícero, no Benedito Bentes 1, porque o bairro em que reside com familiares, o Clima Bom 1, na região do Tabuleiro do Martins, periferia de Maceió, não dispõe de quaisquer espaços adequados ao lazer de quem é adepto da caminhada ou de esportes mais agitados. Construído há mais de vinte anos e bem conservado graças à intervenção e insistência da Prefeitura Comunitária junto à Secretaria Municipal de Meio Ambiente, o logradouro é o único ambiente de lazer para os mais de 150 mil habitantes daquele complexo residencial, considerado a ?bola da vez? em termos de expansão imobiliária na parte alta da capital. Residencial tem logradouro precário No Conjunto Salvador Lyra, outra comunidade vizinha ao novo centro de compras da capital, a situação dos cenários de lazer é precaríssima. O imenso canteiro central, as quadras esportivas, campos de futebol e pequenas praças são o retrato do descuido, do abandono. ?Infelizmente, manutenção nestas praças aqui só de ano em ano. E olhe lá?, queixou-se o aposentado Manoel Barbosa. Na visão dele, a ?turma da Prefeitura? só cuida com carinho de logradouros na região da orla marítima, em bairros como Ponta Verde e Pajuçara. ?Imagine a quantidade de crianças cujos pais não deixam chegar perto dos brinquedos, todos enferrujados?, completa. Depois da rápida visita à Praça do Tota, reformada pela última vez em 1995, a reportagem passou por dois quarteirões até localizar a garotada se divertindo na conhecida Praça do Peu, batizada em homenagem ao morador que primeiro plantou árvores no logradouro. ?Ele não se conformava com a falta de estrutura para o lazer dos moradores. Manutenção é feita por conselheiro Conselheiro tutelar para a região do Tabuleiro do Martins, função para a qual foi eleito pelo voto democrático, Emanoel Monteiro Cerqueira ? o Mano ? tem 31 anos e reside no Salvador Lyra desde os oito. Desfrutou dos prazeres da infância e adolescência correndo pelas áreas de lazer do bairro. Hoje, observa com tristeza a situação da quadra esportiva, situada perto de um supermercado, e onde costumava jogar basquetebol. Dos R$ 2 mil reais mensais que recebe da Prefeitura, comprou dois sacos de cimento e pagou o pedreiro que ?amenizou? o sofrimento do piso esportivo. ?Não tínhamos alternativa. Ou cuidávamos da praça ou então ficaríamos sem opção de lazer para a garotada?, explica o servidor público. Em sua opinião, a estruturação dos espaços de lazer na região contribuiria para redução dos problemas encaminhados ao Conselho Tutelar. ?Quando chove, a praça vira lagoa?, lamenta aposentada Momentos depois de agradabilíssima conversa com a aposentada Alice Maria da Silva, que não esquece jamais da beleza das praças de sua Garanhuns ? cidade onde nasceu, no Agreste de Pernambuco ?, Norma Ferreira, nora da anciã, aproxima-se, meio assustada, e presta atenção ao diálogo. Quando lhe apareceu oportunidade, sentenciou: ?Quando chove, a praça vira lagoa?. O desabafo era uma referência à desestrutura do logradouro cujo piso ainda é de barro, como no século passado. ?Não tem encanação alguma. Infelizmente, é uma esculhambação só?, complementa. Situado entre duas escolas públicas e um movimentado ponto de ônibus, o espaço foi batizado pela população de ?Praça da Guarda?. A alusão tem justificativa: o logradouro fica em frente ao QG da Guarda Municipal que tem a função de zelar pelo patrimônio público da cidade. Mesmo assim, não havia ? ?e não há?, diz Norma Ferreira ? guarda municipal de plantão no referido espaço, o que contribuiria para o zelo do patrimônio coletivo. ?Jogam lixo sempre. Parece um chiqueiro, às vezes?, lamenta Alice Maria. Secretário admite número reduzido O secretário municipal de Meio Ambiente, Ricardo Ramalho, explica que Maceió tem 160 espaços públicos para lazer, dentre os quais praças e canteiros no meio de avenidas. Ele concorda que o número é insuficiente e reconhece que muitos destes logradouros precisam de melhorias. ?Em algumas destas praças e canteiros, nossa principal dificuldade é combater o vandalismo praticado pelos próprios moradores, que detonam o espaço coletivo?, justifica o secretário. Vinculada à Secretaria sob sua gerência funciona o Departamento de Praças e Canteiros, que atua nos quatro cantos da capital. A missão de seus poucos subordinados é planejar e garantir, dentre outras coisas, a conservação dos espaços e da jardinagem.