Cidades
Lix�o p�e em risco sa�de da popula��o
Marechal Deodoro ? Segundo a mais recente pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre saneamento básico nos municípios, Estados como Alagoas, Piauí e Maranhão destinam mais de 95% dos resíduos aos lixões. E não raro muitos desses lixões, que nascem e crescem sem qualquer controle ou estudo, entram em combustão espontânea e passam semanas poluindo ainda mais o meio ambiente. O que não ocorre, pelo menos em tese, com os aterros sanitários. Um exemplo de lixão que cresce sem controle bem próximo da capital é o de Marechal Deodoro. Assentado às margens da BR-424, o lixão do município não foge à regra do que se vê nas demais localidades do interior de Alagoas: nenhuma restrição de acesso, avanço do lixo sobre região de mata nativa e nenhum tipo de tratamento específico dos detritos. Um cenário que só reforça a tese de que lixão é lixão em qualquer lugar. O que inclui as histórias de vida dos catadores: gente simples que, por falta de oportunidade melhor na vida, acabou enxergando na montanha de lixo uma maneira de tirar o próprio sustento. Atravessador de Maceió adquire material recolhido Quem ajuda a escoar a ?produção? do que é retirado do lixo pelos catadores é um atravessador que mora em Maceió, que todas as quintas-feiras viaja até o município de Marechal Deodoro para comprar o plástico e vidro catados do local. ?Se a gente não tivesse para quem vender o que catamos, com certeza a gente ia passar fome e talvez nem estaria aqui no lixão agora, trabalhando?, diz Cícero Paulo de Araújo. Metade dos municípios brasileiros ainda usa lixões a céu aberto como destinos para os resíduos sólidos, segundo a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico. De acordo com o levantamento, 22% dos municípios destinam o lixo a aterros controlados e 27,7%, a aterros sanitários. O IBGE afirma nesse mesmo estudo que o quadro exige ?soluções urgentes?, mas também destaca que o número de municípios que usam os lixões caiu nos últimos 20 anos. Secretário: ?Uma das piores heranças? O secretário de Meio Ambiente de Marechal Deodoro, Ericsson Machado de Melo, diz que o lixão da cidade ?é uma das piores heranças? deixadas por administrações anteriores. Ele explica ainda que há no município um Plano de Saneamento Ambiental Participativo, que deve ter as discussões retomadas em fevereiro e março. ?Esse plano inclui a abertura de cooperativas de catadores de lixo em Marechal. Já o lixão só deve ser desativado quando ficar definida a questão do local do aterro sanitário do consórcio?, diz o secretário. Melo conta que as cidades que participarão do consórcio geram 250 toneladas de lixo por dia. ?Também vamos apostar na educação ambiental. A maior ferramenta é o cidadão, a conscientização da população?, adianta.