Cidades
Fam�lias s�o expulsas do Santa Maria
O choro foi o último protesto. Diante de armas e cavalos da Polícia Militar, a tristeza era a manifestação que restava às 105 famílias expulsas do conjunto Santa Maria, no Eustáquio Gomes. A ação de despejo foi marcada por apelos desesperados, gritaria, revolta, desmaios e crises convulsivas. Muito barulho por nada. Cerca de vinte oficiais de Justiça e cem policiais militares estavam inabaláveis na convicção de cumprir o mandado de reintegração de posse expedido pela 16ª Vara Cível de Maceió. Houve tensão a manhã inteira. Lideranças debatiam com o Centro de Gerenciamento de Crises da PM, moradores ameaçavam resistir, oficiais de Justiça e militares se debruçavam sobre um mapa para traçar a estratégia de ação. Para complicar, o Estado não tinha enviado nenhum representante, nem para conversar com os invasores, nem para assinar a documentação necessária. ?Quem vai ser reintegrado, precisa se fazer presente?, informou a oficial de Justiça titular da ação, Inesângela Barreto. Moradores temem voltar à favela Com cigarro na mão e o filho agarrado ao bico do peito, Maria Aparecida da Silva se prepara para mais uma grande mudança na vida. Acostumada a catar sururu, deixou a Favela do Mundaú para morar na casa invadida longe da lagoa. Ontem pela manhã, subiu num caminhão com destino a terras da falida Usina Bititinga, em Messias. ?Vou virar sem-terra, eu e minha família toda?. Mais de 70 das 181 famílias que ocuparam o conjunto Santa Maria em outubro já tinham deixado o local antes do cumprimento da ação de reintegração de posse. A família de Aparecida é uma delas, vai montar um barraco vizinho ao de parentes que já militam num acampamento às margens da rodovia BR-101. ?Eu sou pescador, mas decidi entrar para os sem-terra, vou plantar macaxeira, feijão verde e trabalhar na lavoura?, afirma Marcos da Silva, marido de Aparecida, enquanto manda os três filhos subirem no caminhão. Os pais dela também participam do êxodo urbano, com mais três crianças.