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Obras s�o realizadas em �reas de risco

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Pouco mais de 1% das cidades brasileiras têm um Plano de Redução de Risco de desastres naturais. Maceió é uma delas. Mesmo assim, a Defesa Civil se depara com uma série de problemas para pôr em prática as soluções previstas no papel. O pior deles é o avanço de novas ocupações em áreas de risco, não só por famílias sem opção de moradia, mas também pelo próprio poder público. É o caso do Projeto Integrado do Vale do Reginaldo. Com edificações erguidas rente a encostas, a obra financiada pelo governo federal esbarra em reações da natureza. Uma queda de barreira já arrastou um prédio de doze apartamentos, na área 7 da obra, e deslizamentos de terra invadiram a creche e o posto de saúde em construção, na área 5. O terreno reservado para a escola também fica numa zona crítica. Moradias ficam a 5 metros de barreira A área 7 do Projeto Integrado ocupa hoje o espaço do sítio onde o marceneiro Edgard Ferreira da Silva morava, mas ele lembra que a casa era mais afastada do que os prédios construídos pelo Estado, que ficam a cerca de cinco metros da encosta. Ele reergueu o barraco, a oficina de marcenaria e uma cocheira improvisados, enquanto espera a conclusão da obra para se mudar. Só não tem ideia de quando. ?Está tudo parado desde o desabamento?, diz o dono dos jumentos, que utiliza os animais para o transporte das encomendas da marcenaria em carroças. Se o próprio poder público ocupa a área de risco, o que dizer do desempregado Antônio Gomes, que se mudou para uma barreira vizinho a um trecho do Projeto Integrado do Vale do Reginaldo, há cerca de um mês. ?Faz medo, às vezes quando chove fica um sabão, o barranco debaixo da gente pode descer e a casa de cima pode cair?. Habitantes reivindicam indenização Parte dos moradores reivindica uma indenização para sair da área de risco o mais rápido possível e não ficar no prejuízo. ?A minha casa valia R$ 70 mil, mas hoje ninguém vende um apartamento desse por menos de R$ 35 mil, isso nos blocos que não estão ameaçados. A Seinfra (Secretaria de Estado da Infraestrutura, responsável pela obra) deveria indenizar a gente?, apela Valmir Nemézio. Segundo o autônomo, os blocos também estão se rachando por baixo. ?Já esteve aqui um arquiteto e disse que estava perigando demais?. Diretor da Associação dos Moradores do Vale do Reginaldo e síndico, Marcos Antônio da Silva, destaca ainda uma série de problemas de infraestrutura na obra entregue há cerca de seis meses. ?As telhas estão cheias de cupim, quando chove alaga tudo, a água entra em alguns apartamentos, não fizeram saneamento e a obra toda é muito mal feita?, afirma Marcos, apontando que o nível da água chegou a quase um metro na parede externa do prédio.

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