Cidades
Requalifica��o de orla causa preocupa��o
Maragogi ? Todos os estabelecimentos comerciais situados na orla marítima de Maragogi, na Avenida Senador Rui Palmeira, estão irregulares. São estruturas e tamanhos não concebíveis e a princípio serão demolidos. A constatação é da Secretaria do Patrimônio da União (SPU) em Alagoas e foi levada ao conhecimento dos proprietários durante audiência pública. A notícia abalou as estruturas e deixou os empresários fora de prumo. Muitos investiram fortunas em reformas e ampliações de bares e restaurantes; agora, temem prejuízos financeiros. A prefeitura elaborou um projeto definidor de padrões e estilos para os imóveis e que será apresentado e discutido em nova audiência agendada para 16 de fevereiro. Neste dia também será fixada a data para o início do processo de requalificação. ?Na primeira audiência tratamos de assuntos como a recuperação das áreas de uso comum do povo, a exemplo das praias ocupadas principalmente por estabelecimentos comerciais desordenadamente ao longo do litoral de Maragogi. Inicialmente trabalharemos no trecho da Avenida Senador Rui Palmeira?, revelou o superintendente da SPU em Alagoas, José Roberto Pereira. Comerciantes locais criam associação Maragogi ? Após a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) promover inspeção e apontar as irregularidades no uso e ocupação da orla marítima de Maragogi, os donos de bares e restaurantes se reuniram e criaram uma associação para defender seus negócios. A entidade é dirigida pela vereadora Elba Vasconcelos, presidente da Câmara Municipal, e que também possui estabelecimentos na Avenida Senador Rui Palmeira. Ela disse que, por enquanto, busca um entendimento com os órgãos envolvidos no processo de requalificação, com o objetivo de manter os empreendimentos e minimizar possíveis prejuízos, mas não descarta, entretanto, recorrer à Justiça para defender os interesses da categoria. ?Olhando direitinho, os donos de bares e restaurantes, principalmente os receptivos que recebem os turistas que vão às Galés (piscinas naturais), já sofrem com os espaços pequenos, imagine quando esses imóveis forem ainda mais reduzidos. A situação vai ficar bastante crítica. Não só os donos vão ser prejudicados, como também os turistas, que precisam de conforto?, afirmou Elba Vasconcelos. Projeto prevê ordenamento costeiro dos municípios Maragogi ? O projeto de padronização proposto pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e prefeitura municipal estabelece a construção de barracas circulares com raio de 9 metros e já foi aprovado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), faltando apenas o crivo do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/AL). Os espaços no entorno podem ser utilizados, desde que com estruturas móveis: mesa e guarda-sol. ?Estamos negociando um aumento da área construída para 12 metros de raio e esperamos que nosso pleito seja atendido, afinal todos os órgãos oficiais estão abertos ao diálogo?, afirmou a vereadora Elba Vasconcelos, presidente da Câmara Municipal de Maragogi, exigindo que o ordenamento aconteça do distrito de São Bento a Peroba, nos 27 km de litoral maragogiense. Irregularidades podem prejudicar turismo Maragogi ? Debruçando-se sobre a situação de Maragogi, o superintendente de Meio Ambiente da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), Anivaldo Miranda, constata que o município, depois de Maceió, é o que mais sofre com as pressões exercidas pelo turismo em Alagoas e, como tal, tem desafios elevados em termos de correção de ocupações ilegais do espaço público, falta de planejamento e práticas econômicas insustentáveis que, se não forem equacionadas, colocarão em perigo de retrocesso e decadência o crescimento das atividades turísticas da região. ?As potencialidades de Maragogi ainda são grandes, mas já estão ameaçadas. Por isso, torna-se urgente que a sociedade civil, o poder público e o empresariado local se ponham de acordo na produção de um modelo que salve, digamos assim, a galinha dos ovos de ouro, que nada mais é do que a maravilhosa paisagem e a qualidade da praia e do mar do nosso litoral?, ponderou.