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Ilha passa por processo de faveliza��o

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Barra de Santo Antônio ? A história da ?Ilha da Croa?, na Barra de Santo Antônio, se divide entre o antes e o depois da construção da ponte ligando o continente à península. Em oito meses, donos de bares, restaurantes, pousadas, enfim todo o comércio sentiu os efeitos benéficos do aquecimento da economia proporcionado pelo fácil acesso. Entretanto, a obra também canalizou sérios problemas. O maior deles é a ?favelização? de espaços públicos e até privados, invadidos por quem não possui emprego, teto, mas sonha em um dia garantir um lugar ao sol naquele paraíso natural. As construções irregulares, desprovidas de saneamento, são uma ameaça ao meio ambiente e à principal atividade econômica do lugar: o turismo. Atarantado, o catador de lixo Alexandre Manoel da Silva, 28 anos, perambulava pelas ruas da Barra de Santo Antônio numa manhã ensolarada de maio de 2010. Pensava numa solução para a medida imposta pelo Conselho Tutelar dos Direitos da Criança e do Adolescente de tirar os três filhos menores de idade do lixão, onde morava com a esposa. Olhou para o horizonte e avistou, imponente, a ponte, inaugurada dias antes. O colosso de concreto e metal o convidava a passear sobre o seu dorso até o paraíso chamado Ilha da Croa. E o melhor: sem pagar nada pela travessia, feita outrora de balsa ou canoa, mediante pagamento. Famílias são ameaçadas de despejo Barra de Santo Antônio ? ?Ô Josué, eu nunca vi tamanha desgraça, quanto mais miséria tem, mais urubu ameaça?. É assim que os moradores da favela do Xié se sentem, como na música Da Lama ao Caos (Nação Zumbi). Eles receberam a visita de técnicos da Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e da prefeitura municipal que informaram sobre a irregularidade da ocupação. Terão de deixar o local, mas não sabem para onde ir. ?O pessoal da União veio aqui com a prefeitura, já faz um tempo, e deram dez dias para a gente deixar o local. A prefeitura ficou de providenciar uma área para colocar os barracos e depois construir as casas, mas até aqui não chegou ninguém?, contou a desempregada Elza Neta Batista dos Santos, 31 anos. Voz ativa entre os sem-teto, ela indaga: ?Você acha que estamos aqui porque a gente quer? Estamos nessa situação porque não temos onde morar nem condições de pagar aluguel, caso contrário não estaríamos numa vida sofrida dessas?, declarou Elza, mãe de quatro filhos, o marido desempregado. Terrenos privados também são invadidos Barra de Santo Antônio ? Para o topógrafo Josivaldo Almeida, os sem-teto não passam de um bando de aproveitadores. ?Isso (ocupação) é malandragem. Souberam que na área seria construída uma escola de pesca e se aproveitaram para invadir e depois pedir indenização ou ganhar uma casa de graça?, observou. Ele avalia que a especulação imobiliária na Ilha da Croa ainda está engatinhando e garante que é possível comprar na atualidade lotes de 6m x 25m por R$ 5 mil. ?Depois da construção da ponte, a tendência é haver uma valorização dos terrenos, mas que ainda não é sentida?. O superintendente da SPU em Alagoas, José Roberto Pereira, informou que técnicos da superintendência estiveram na favela do Xié e em outras áreas invadidas e pertencentes à União da Ilha da Croa. Eles constataram diversas irregularidades no tocante à ocupação do solo. ?A Prefeitura ficou de realocar as famílias sem-teto. Nos próximos dias, estaremos retornando ao local e cobrando do município providências no tocante à demarcação de uma área para fins do assentamento dessas famílias?, afirmou Pereira. Situação está preocupando empresários Barra de Santo Antônio ? Empresários do setor turístico e hoteleiro demonstram preocupação com o processo de favelização porque passa a Ilha da Croa, na Barra de Santo Antônio. Eles entendem que os bolsões de miséria podem gerar sérios danos ambientais, sociais e econômicos para o município e se propõem a ajudar. A Pousada Ventos da Barra foi inaugurada em 25 de dezembro do ano passado. Um investimento de empresários de Porto Velho, Rondônia. A ponte foi o fator decisivo para a consolidação do negócio que por pouco não foi inviabilizado diante da ameaça das favelas que se formam no entorno do empreendimento hoteleiro. ?Que fique bem claro: as pessoas não incomodam, o que nos deixa preocupados é a difícil situação social em que estão vivendo com sérias consequências para todos?, avaliou a gerente da pousada Eva Maria Quintão. Carro Quebrado continua interditada Barra de Santo Antônio ? A construção da ponte também gerou impactos à Praia de Carro Quebrado, que já foi a oitava mais bela praia deserta do Brasil. Para se chegar de automóvel ao paraíso é necessário passar por dentro de um imóvel particular. Acontece que o proprietário, Cícero Machado, fixou, desde que a ponte foi inaugurada, há oito meses, uma cerca erguida com barrote e arame farpado, impedindo o acesso de automotores. O objetivo é recuperar e preservar a área. A Praia de Carro Quebrado fica na Ilha da Croa, que na verdade é uma península. Antes da construção da ponte interligando a sede do município àquele povoado, o acesso era restrito naturalmente, pois para se chegar até ali era necessário atravessar o Rio Santo Antônio numa balsa. Com a inauguração da ponte, o destino ?bombou?. Carros de passeio e ônibus levando grande quantidade de gente faziam a alegria de comerciantes, vendedores ambulantes e guias locais, mas estavam degradando a praia.

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