Cidades
Alagoanos correm para retirar CNH antes do aumento
A constante ameaça de aumento no valor da emissão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) tem levado centenas de alagoanos a correrem contra o tempo para iniciar o processo de habilitação antes do temido reajuste. Inquietação semelhante é percebida entre os proprietários das autoescolas, que buscam autonomia para escolher, sem intervenção do Departamento de Trânsito de Alagoas (Detran), que preço darão aos serviços. Diante das aclamações, o Detran apenas silencia, limitando-se a informar que vai ouvir os argumentos dos empresários. O impasse ocorre desde 2008 e, entre aumento e redução, chegou ao mais recente confronto: de um lado, a portaria de nº 584/2008, assinada pelo ex-diretor do departamento, desembargador Antonio Sapucaia, que determinou a redução dos valores da CNH de R$ 584,64 para R$ 467,17, montante logo reajustado para R$ 570 por decisão do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Do outro, há um ofício encaminhado pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) alegando que o Detran de Alagoas não possui competência para definir os valores dos serviços dos centros de formação. Sindicato aguarda posição do Detran Apesar de alegar estar com respaldo do Denatran, o Sindicato das Autoescolas está disposto a aguardar a decisão do Departamento Estadual. ?Não podemos dar nenhum prazo para o Detran, são eles que precisam se manifestar agora. Nem vamos definir um preço único, porque o que queremos mesmo é a livre concorrência?, declarou Joseilton Carvalho, acrescentando que não quer entrar em trâmites judiciais. ?Ainda não é hora de pensar em Justiça?, desconversa. No entanto, não são todas as autoescolas que vão esperar por muito tempo a reação do sindicato. Para o proprietário da autoescola Direplan, Dacildo Sobrinho, a paciência já está chegando ao limite. ?O problema é que fica esse impasse, o sindicato não traz nenhuma posição e não temos como esperar muito. Não é o sindicato quem vai pagar nossas contas no fim do mês?, afirma. Documento pode chegar a R$ 690 Caso a portaria do Detran seja derrubada e as autoescolas tenham a autonomia desejada para estabelecer preços, os descontos até podem surgir, mas o provável é, de fato, que o bolso pese ainda mais para quem quer tirar a primeira carteira de habilitação. ?O sindicato fez um cálculo e estabeleceu o valor de R$ 690, com base nos nossos custos atualizados. Esse valor pode ou não ser implantado pelos centros de formação de condutores?, explica Sobrinho, acrescentando que o valor não inclui o aluguel dos veículos e nem o material didático. A justificativa das empresas não convenceu os futuros condutores, que já ficaram apreensivos com a ideia de um aumento e adiantaram o processo para retirar a primeira Carteira de Habilitação. O ?concurseiro? Charles Oliveira já admitiu que não teria condições financeiras de embolsar R$ 690 em uma CNH.